Número de participantes em OICVM atinge máximos de 10 anos


Tem sido grande o dinamismo em torno dos OICVM, à medida que os investidores ganham um crescente interesse nestes organismos. Só em 2019, a CMVM dá conta de um aumento de 20,8% no valor sob gestão dos OICVM, situando-se em 12,6 mil milhões de euros no final do ano. No seu Relatório sobre os Mercados de Valores Mobiliários referente a 2019, o regulador nacional justifica esta evolução como um resultado de um expressivo efeito preço, resultante da valorização de alguns ativos que integram as carteiras dos OICVM, mas também sobretudo “por um aumento da preferência dos investidores por OICVM, refletida em subscrições superiores aos resgates”.

Esta atividade tem-se revelado transversal a todas as categorias de fundos, tendo os aumentos mais expressivos do valor sob gestão ocorrido nos fundos de ações (+40,3%), nos do mercado monetário (+35,7%) e nos de obrigações (+25,3%). Para além do já referido efeito preço, o aumento do valor gerido resultou ainda de “subscrições superiores aos resgates nos fundos de ações, nos flexíveis, nos de poupança reforma e nos ‘outros fundos’”, indicam no relatório. Em sentido contrário, nos fundos de obrigações e mercado monetário, os resgates foram superiores às subscrições no conjunto do ano. Contudo, face ao período homólogo, as subscrições aumentaram e resgates diminuíram, o que reforça o fenómeno do aumento da procura geral dos investidores por fundos de investimento, mas também da procura de fundos de menor risco.

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Mercado cresce a níveis históricos

Mais procura foi sinónimo de mais crescimento para o mercado destas entidades. De tal forma que, no ano passado, o número de participantes em OICVM atingiu o valor mais elevado da última década, ao alcançar os 953 968 participantes. A estrutura de participantes continua a ser heterogénea nos diversos tipos de fundos, e daí o aumento de subscritores ter ocorrido em todas as tipologias de fundo, com exceção dos fundos flexíveis.

Outro elemento que permite avaliar o grau de compromisso e interesse do investidor é o valor médio investido por participante. Também sem surpresa, este aumentou em 2019, atingindo os 13,6 mil euros no final do período, e em concreto no segmento das pessoas singulares (investidor privado) este valor aumentou para 12,1 mil euros. A motivar este incremento está, novamente, o efeito preço, e, mais importante, os “resgates de participantes com menores montantes investidos, enquanto nos fundos de ações tal resulta de novas subscrições de pessoas singulares com maiores valores investidos por participante”, pode ler-se no relatório.

Em geral, cada participante detém uma percentagem reduzida do valor sob gestão dos fundos em que investe, uma vez que 99,6% dos participantes possuem UP que correspondem a valores não superiores a 0,5% das carteiras de fundos de investimento mobiliário abertos (OICVM e FIAM). No final de 2019 operavam em Portugal 15 entidades de gestão coletiva de valores mobiliários e existiam 145 OICVM em atividade, mais 10 do que no final do ano transato. O índice de concentração permanece elevado, com as cinco maiores entidades a representarem 94,4% do valor administrado.

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Fundos de investimento alternativo em sentido contrário

Porém, não se pode afirmar que esta prosperidade seja igual em todo o mercado. No caso dos fundos de investimento alternativo mobiliários (FIAM), o valor das carteiras prolongou a sua tendência de queda, e atingiu 354,2 milhões de euros no final de 2019. Como contribuintes para essa mirração está a diminuição do número destes fundos, com extinção de oito, metade dos quais foram liquidados, e de resgates superiores às subscrições, ocorrência que já toma lugar pelo sétimo ano consecutivo.

Em termos de mercado, nos FIAM observou-se uma expressiva diminuição do número de participantes (-92,3%) que, de igual forma, foi fruto dos desinvestimentos verificados e, essencialmente, da diminuição do número de fundos em atividade.

Divida privada e ações estrangeiras: onde investem os OICVM

A CMVM faz ainda menção, em traços gerais, da composição das carteiras de investimento destes organismos. Começando pela carteira de obrigações, verifica-se que, apesar do redireccionamento de algum investimento para dívida soberana, na carteira dos fundos continua a ser predominante a dívida privada. Cerca de “dois em cada três euros de dívida soberana na carteira dos OIC estão concentrados em Itália, Portugal e Espanha, possivelmente tendo em vista a procura de retorno dadas as yields tendencialmente superiores existentes para a dívida destes países”, explicam no relatório.

Em termos da sensibilidade do preço das obrigações a alterações das taxas de juro, a duração modificada da dívida da carteira de obrigações dos OIC aumentou para 3,04 anos. Os fundos poupança reforma apresentam a maior duração modificada, seguidos dos fundos de obrigações. Três quartos dos fundos possuem uma duração inferior a cinco anos, existindo alguns fundos com duração superior a 10 anos e que, por conseguinte, apresentam elevada sensibilidade a alterações das taxas de juro.

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Já na componente de ações, o investimento foi mais direcionado para ações e UP estrangeiras, motivado pelos aumentos relevantes das cotações acionistas. Os novos investimentos também ocorreram por utilização da liquidez disponível nas carteiras dos fundos, que tinha observado um aumento em 2019 resultante das subscrições líquidas positivas. Contudo, com esta opção de investimento, o nível de liquidez diminui para 13,7% do VLGF no final de 2019, o que compara com 21,5% no final de 2018.

Em termos geográficos, a Alemanha foi o país mais procurado para os investimentos, enquanto que a dívida pública foi a principal fonte de captação do investimento em território nacional. Os investimentos nos EUA privilegiaram o segmento acionista, pelo que o regulador afirma que tal “não pode ser dissociado do desempenho dos índices de ações naquele país”.

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