Novos fundos temáticos (e megatendências) chegam ao mercado


Os fundos de megatendências estão cada vez mais na moda e a adquirir uma popularidade na Europa nunca antes vista até agora. Existem dois fatores que estão a catapultar estes produtos. Por um lado, o rally registado pelos mercados de ações e o longo ciclo económico está a empurrar os selecionadores a procurarem valor em fundos que invistam em empresas que possam recolher nos seus balanços (e, consequentemente, no preço das suas ações) tendências seculares. Por outro, o próprio conceito de megatendência é muito mais fácil de explicar ao cliente final comparativamente com outros produtos de ações com filosofias ou estratégias mais complexas.

As gestoras identificaram esta oportunidade de negócio e algumas começaram a lançar produtos com os quais procuram atrair clientes. Entre as pioneiras encontram-se a Robeco, a AXA IM, a BNP Paribas AM ou a Pictet AM, e esta última entidade está a completar uma gama de fundos de megatendências cada vez mais vasta, composta já por dez fundos, com a qual gerem a nível global 36.000 milhões de euros. Atualmente, a gestora comercializa o Pictet Robotics e o Pictet Security, dois dos três fundos temáticos com mais património na Península Ibérica e está a criar novas estratégias deste tipo.

O último que colocou à disposição dos investidores engloba um novo conceito, o da “cidade inteligente”: o Pictet-SmartCity. Neste caso, trata-se de um novo fundo UCITS domiciliado no Luxemburgo, com valorização e liquidez diárias, que procede do reposicionamento do fundo Pictet-High Dividend Selection, existente desde 2010. Os seus gestores, Ivo Weinöhrl e Lucia Macaccaro, procuram beneficiar das megatendências que impulsionam a urbanização – desenvolvimento demográfico, crescimento económico, sustentabilidade e desenvolvimento tecnológico –, mediante soluções mais inteligentes.

Investem em empresas de todo o mundo que facilitam o desenvolvimento das cidades do amanhã e ajudam a enfrentar os desafios correspondentes, melhorando os ambientes urbanos e o bem-estar mental, físico e económico dos seus habitantes. Engloba o conceito de cidade inteligente, que tem em conta o crescimento económico e a prosperidade, a inovação e tecnologia e a qualidade de vida e pegada ambiental, com capacidade para reunir, agrupar e analisar dados para gerir e resolver os desafios da urbanização, incluindo poluição, criminalidade ou doenças.

O seu universo conta com três segmentos principais: “construção”, “gestão” e “vida” das cidades. Em “construção” inclui empresas ativas em desenho, planificação, construção e financiamento das cidades do amanhã, com um enfoque em eficiência e sustentabilidade. Em “gestão” inclui empresas que gerem infraestruturas tradicionais e digitais e proporcionam serviços fundamentais para o funcionamento das cidades de forma sustentável e em “vida” empresas que oferecem serviços e soluções em habitação, trabalho e atividades de lazer para a vida urbana do século XXI. Segundo explicam, estes segmentos apresentam taxas de crescimento anual das vendas entre os 7% e os 11%.

Outras gestoras exploram megatendências ainda mais específicas. É o caso da Goldman Sachs AM com o seu GS Global Millennial Equity, produto lançado em fevereiro de 2016 que investe em empresas que centram o seu negócio em temas relacionados com a geração do milénio. Um deles é, por exemplo, a revolução genética. O desenvolvimento, a realização e a comercialização de técnicas de edição genética terão grandes consequências para o futuro das pessoas, a sociedade e a indústria. A indústria do cuidado da saúde ver-se-á fortemente afetada pela disrupção que as terapias genéticas irão causar no mundo da medicina aplicada. As principais empresas farmacêuticas estão a gastar milhares de milhões para se assegurarem de que estão no lado correto conforme esta alteração.

Provavelmente, no outro extremo da balança, as pequenas empresas de biotecnologia irão ser construídas com técnicas e produtos inovadores,à medida que a tecnologia genética se transforma num recurso principal para os tratamentos de assistência médica. No GS Global Millennial Equity, os gestores consideram empresas que poderão proporcionar exposição a desenvolvimentos futuros e ao potencial de crescimento da tecnologia genética. À medida que a geração millennial envelhece, em convergência com a maturação da ciência de edição de genes, os responsáveis da estratégia esperam que a exposição a estas empresas aumente. Atualmente, a carteira tem uma ponderação de 6,5% nas empresas de assistência médica.

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