Novas estratégias com a marca InvestQuest


Numa entrevista à Funds People, publicada na revista número 15, referente ao quarto trimestre de 2016, Nuno Lourenço Dimas, CEO da InvestQuest (na foto), falava de um caminho que a entidade tem vindo a percorrer no sentido de aumentar o âmbito de atuação, nomeadamente, em “segmentos de negócio complementares, tais como private banking, multi-family offices e clientes institucionais, incluindo fundações”, através da “criação de ferramentas customizadas e fornecimento de serviços complementares”. Precisamente algumas dessas ferramentas de investimento nasceram em 2016, num ambiente de mercado marcado pela volatilidade, mas também, na perspectiva da casa de investimento luso-britânica, pela oportunidade. Falamos dos fundos de investimento UCITS, domiciliados no Luxemburgo, InvestQuest Global Bond Fund, comandado por Hugo Pedro, e do InvestQuest Global Absolute Return Fund, gerido por Michael Bull.

Obrigações: uma grande especialidade da InvesQuest

É neste segmento de mercado que se concentra a gestão do InvestQuest Global Bond Fund (IGBF). “Com a nossa extensa experiência em fixed income, as nossas soluções internas e uma equipa de research & desenvolvimento dedicada, incluindo análise quantitativa, estamos habilitados a maximizar os retornos ajustados ao risco no portefólio”, explica o gestor Hugo Pedro. O profissional salienta que a estratégia do fundo implica uma cuidadosa escolha dos investimentos, com uma liquidez de mercado favorável que possibilite uma capacidade de resposta rápida e tirar partido das oportunidade de mercado, ao mesmo tempo que se “evitam dissabores, como os ocorridos com as obrigações do BES, Banif ou Portugal Telecom, que passaram ao lado do fundo”.

Com um universo de investimento global, o fundo investe principalmente em ativos denominados em euros e dólares, com um claro bias para a primeira divisa, num largo espectro de qualidade de crédito, desde investment grade a ativos sem rating, passando pelo segmento high yield. Hugo Pedro explica que a decisão de investimento depende da análise da “empresa, em termos de sector, quota de mercado, performance financeira, preço, comparáveis e o sentimento de mercado, entre outros factores”, seguindo um processo de investimento focado numa análise quantitativa objetiva e numa mistura de alocação top-down com uma seleção bottom-up. “A estratégia de investimento é implementada através da utilização de modelos quantitativos desenvolvidos in-house”, que permitem “uma gestão muito ativa da alocação por subsector e do timing na carteira do fundo”, destaca o gestor. Neste sentido, é evidente a abordagem tática, por oposição a uma estratégia buy-and-hold, sendo que a gestão tipicamente vende um ativo quando “o valor intrínseco deixa de existir, o racional de aquisição muda, ou se forem identificadas oportunidades com melhor perfil de risco/retorno”.

“No momento a duration do fundo anda em torno dos 2,5 anos, uma duration curta, orientada para proteger a carteira da possível volatilidade que poderá advir de eventos futuros”, realça o gestor, justificando com a convicção de que os riscos para o downside são maiores que o upside. O fundo não investe m produtos estruturados ou derivados.

Retorno Absoluto Global

À frente de uma estratégia que procura retornos independentes da performance geral dos mercados, o InvestQuest Global Absolute Return Fund, Michael Bull tem uma clara preferência por estratégias equity long/short e global macro. O profissional considera que ambas podem providenciar uma volatilidade controlada sem uma alavancagem excessiva, o que, na sua opinião, “permite a construção de um portefólio eficiente de estratégias descorrelacionadas, ao mesmo tempo que controla o tail risk”. O objetivo do fundo passa pela preservação de capital e um retorno alvo de 8% ao ano, com uma volatilidade anualizada de 6% por ano no longo prazo.

O processo de investimento passa pela seleção do maior número possível de fontes de retornos descorrelacionados, sejam fundos geridos externamente, sejam ideias temáticas internas, e combiná-las numa lógica de paridade de risco, para que cada fonte de retorno independente tenha a mesma contribuição para o risco. “Este processo gera uma carteira extremamente eficiente”, resume Michael Bull. A gestão tem uma preferência por gestores ativos com um processo rigoroso e sistemático que “faça sentido e seja robusto”, ou indivíduos com um “track record estabelecido e características marcadas, que tomem as suas próprias decisões”. O acompanhamento é efetuado ao nível da exposição, e não ao nível das decisões, analisando a correlação dos retornos diários com uma série de benchmarks. “Os gestores comunicam numa base regular via e-mail e nós gostamos de os deixar fazer o seu trabalho, reunindo cara a cara apenas uma ou duas vezes por ano”, explica o profissional.

A estratégia está “cautelosamente positiva em ações cíclicas e com elevado crescimento, e negativa em obrigações soberanas de mercados desenvolvidos e investimentos que geram rendimentos”. Para o gestor, “o atual ‘Trump Tantrum’ poderá ser semelhante ao período de meados de maio a agosto de 2013, quando as obrigações soberanas de mercados desenvolvidos perderam valor depois dos comentários de Bernanke e algumas posições excessivas tiveram que ser desfeitas”. Espera que a turbulência nos mercados de obrigações continue, ao mesmo tempo que considera que os gastos públicos nos EUA deverão ser positivos para os resultados corporativos. No entanto, Michael Bull não tem nenhuma preocupação específica, dado o caráter de retorno absoluto do fundo. No entanto, no curto prazo considera que “uma conjuntura de subida de taxas de juro poderá ser relativamente favorável para o fundo”.

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