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“Nos bastidores” do fundo de ações europeias da Candriam


Com uma experiência média superior a 15 anos, o mercado acionista europeu não é um mundo novo para a equipa de ações europeias da Candriam. Isto é verdade em particular para a equipa a cargo da gestão do Candriam Equities L Europe Optimum Quality, composta por 12 especialistas de investimento fundamental e quatro engenheiros de investimento.

CandriamA apresentação desta estratégia em detalhe aos clientes e investidores, presentes na segunda edição da Funds Talks, esteve a cargo de Nicolas Deltour, CIIA, senior client portfolio manager. “Os nossos estudos demonstram que a seleção fundamental de ações europeias de alta qualidade pode gerar retornos superiores aos do MSCI Europe Index, com uma volatilidade estruturalmente menor, graças às ineficiências do mercado”, começa por detalhar o especialista. Para tal, a equipa implementa uma filosofia de investimento que combina a análise fundamental com um processo de otimização de mínima variância e um esquema de redução do drawdown baseado em derivadas, “construindo um portefólio que gerará retornos superiores com um risco reduzido”.

Assim, e sempre com o objetivo de encontrar empresas de alta qualidade, o processo de investimento do Candriam Equities L Europe Optimum Quality segue os três passos acima referidos – análise fundamental, otimização da mínima variância e redução de drawdown através de derivadas –, partindo de um universo de investimento de mais de 600 ações, resultantes tanto do MSCI Europe Index como de um vasto grupo de outras ações europeias transacionadas que possuam uma capitalização de mercado superior a 250 milhões de euros.

Do primeiro passo resulta uma lista de cerca de 100 nomes de qualidade, a chamada Quality Buy List. Neste, as empresas são analisadas com base numa lista de cinco critérios – qualidade da administração, business growth, vantagem competitiva, criação de valor e alavancagem financeira –, sendo depois analisados ainda critérios como a valuation, dinâmicas de rentabilidade e crescimento e liquidez. Sobre a questão das valuations, o especialista destaca que a sua análise “assenta em modelos DCF, utilizando, pelo menos, cinco anos de free cash flows, baseados nas nossas projeções internas”.

O segundo passo é levado a cabo com recurso à equipa de engenharia financeira, no qual é aplicado o otimizador de mínima variância à Quality Buy List. “Alcançamos diversificação limitando o otimizador a um máximo de posições por nome individual e limites por país e sector”, explica. A lista é, assim, resultante de vários parâmetros: um intervalo de posições entre os 60 e os 70 títulos; capitalização de mercado superior a mil milhões de euros; uma exposição sectorial máxima de 25%, geográfica de 25% aos ‘grandes países’, de 5% aos de menor dimensão e de 35% ao Reino Unido; um máximo de posições de liquidez de 5%; e um rebalanceamento a cada três meses.

O terceiro e último passo corresponde à proteção da carteira face a riscos de mercado – redução do drawdown. Para isso, a equipa de gestão aplica uma cobertura, em média, de 20% a 25% do portefólio através de put options de longo prazo (entre seis meses a dois anos), proteção essa que é “totalmente ou parcialmente financiada pela venda de call options de ações individuais. Estas call options são de curto prazo (abaixo dos três meses) e 100% cobertas pelas nossas posições”.

Critérios ISR na construção do portefólio

Candriam_3Embora sendo uma realidade há já vários anos, o investimento socialmente responsável é um tema que tem vindo a ganhar uma dimensão e relevância cada vez maiores nos últimos tempos. Na Candriam, o ISR é algo intrínseco ao seu processo de investimento, aplicando diversos factores ESG no sentido de melhor avaliar os riscos e oportunidades na construção das suas carteiras. Nicolas Deltour fez, portanto, questão de destacar que o processo de investimento do fundo tem em conta estes critérios em cada uma das suas quatro dimensões: quer seja ao nível do universo de ações elegíveis, da análise fundamental das empresas, das valuations ou no capítulo da construção do portefólio.

“A análise dos critérios ISR é independente e o departamento de gestão de risco monitoriza constantemente o compliance com todos os critérios, igualmente de forma independente”, aponta o especialista. Assim, as empresas excluídas não podem ser incluídas no portefólio, sendo que as exclusões podem resultar da análise baseada em normas própria da entidade, que incluem o respeito pelos direitos humanos, normas laborais e ambiente, bem como uma política anticorrupção e/ou da exposição a atividades controversas, como é o caso de minas antipessoais, munições cluster, urânio empobrecido, armamento químico, biológico ou de fósforo branco, tabaco e a extração e produção de energia através de carvão térmico.

Qualidade da administração – o exemplo

Procurando ilustrar aquilo que é o processo de investimento do fundo, Nicolas Deltour aponta uma das empresas presentes em carteira que melhor corresponde ao critério de qualidade da administração: a CHR Hansen, que é uma empresa que desenvolve, produz e cultiva enzimas, probióticos e corantes naturais para as indústrias da alimentação, criação animal e proteção de plantas.

“Esta é uma empresa que apresenta uma grande estabilidade, com o CEO a manter-se em funções desde 2013, com um longo track record e cujas guidelines da empresa se mantêm as mesmas desde 2011. Já a estratégia da empresa tem um horizonte temporal de médio e longo prazo e que aposta no investimento na proteção de plantas naturais e no microbioma humano, que acreditamos ser a outra etapa de crescimento nos próximos cinco a dez anos”, detalha o profissional. Outro aspecto destacado é a consistência das métricas e da comunicação desde o IPO, ao qual acrescenta a boa relação com os acionistas, apresentando um pagamento de dividendos “extraordinário” – entre os 40% e os 60%. A vertente ESG não é, obviamente, colocada de parte: “A nossa análise interna de critérios ISR coloca a CHR Hansen no primeiro quartil do universo europeu, assumindo compromissos com todos os problemas ambientais. Para além disto, a sua política de proteção do consumidor está entre as melhores do sector”, aponta.

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