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Natalia Mu (Mirae Asset): “Ser seletivo é cada vez mais importante”


Ainda que a economia chinesa apresente alguns desequilíbrios que precisam de ser corrigidos, o cenário de crise ou de hard landing parece ser algo pouco provável neste momento, revelou Natalia Mu, product specialist da Mirae Asset Global Investments, que esteve recentemente em Portugal. Por outro lado, mercados como a Coreia do Sul ou a Índia encontram-se, segundo a profissional, em contextos bastante saudáveis, suportados pelo bom momento do mercado global, tendo em conta a clara orientação da economia asiática para as exportações.

De facto, a visão da gestora relativamente ao mercado sul coreano tem vindo a sofrer alterações ao longo dos últimos anos. “Acreditamos que a Coreia do Sul será um dos mercados que mais irá beneficiar do crescimento económico global, o que alterou o nosso posicionamento relativamente a este mercado”, esclareceu a profissional. À semelhança dos restantes países asiáticos, “a Coreia do Sul é um mercado bastante orientado para as exportações e, como tal, beneficia da recuperação do crescimento económico através do crescimento das exportações”.

Natalia MuContudo, o corporate governance é um dos desafios mais proeminentes deste mercado. Natalia Mu explica que “algumas das empresas sul coreanas são controladas por famílias, o que condiciona a atuação dos investidores”.  Conta mesmo que alguns deles têm tido problemas relacionados com payouts, ou até mesmo com o descurar do interesses dos acionistas, detalha. Não obstante, a eleição do novo presidente sul coreano trouxe um novo fôlego a esta questão. Uma das prioridades da agenda do novo executivo é que o corporate governance se torne mais transparente, “o que irá beneficiar as empresas a longo prazo”.

Índia: pedras no caminho... ultrapassáveis

Relativamente ao mercado indiano, a visão da entidade é positiva tanto do ponto de vista estrutural como conjuntural: “a população é enorme, com uma demografia favorável, ainda que um pouco atrás da trajetória de crescimento da China. Não obstante, "o desenvolvimento de infraestruturas e algum do investimento mais básico é uma das prioridades do atual governo”, revelou Natalia Mu.

Por outro lado, a economia indiana procura ultrapassar um obstáculo relacionado com a sua divisa. Recorde-se que o governo aplicou uma medida de desmonetização à sua moeda: “anunciou que 80% das notas de valor mais alto seriam retiradas de circulação”, lembra a portfolio manager. Uma vez que a economia indiana é bastante orientada para transações em dinheiro, esta medida procurou combater o mercado negro, que impossibilitava o controlo das transações com notas de valor mais elevado. “Apesar desta decisão ter abalado de certa forma o mercado indiano, o governo acredita que esta medida irá beneficiar a economia a longo prazo”, inferiu a profissional.

No que diz respeito aos países integrantes da ASEAN, a visão da gestora é de que existem algumas oportunidades que podem e devem ser aproveitadas. Contudo, “tendo em conta que procuramos investir em empresas numa perspetiva de longo prazo, não encontramos muitas empresas de qualidade”, relevou Natalia Mu. Apesar disto, a profissional destaca que encontram oportunidades no sector de consumer básico, em particular no consumo mais tradicional.

Olhando para o contexto asiático, de uma forma geral, “tendo em conta as valorizações atuais do mercado”, a profissional deixa um aviso: “É preciso ser cada vez mais seletivo”. Ainda assim, existem bastantes oportunidades, ainda que seja necessário ser cauteloso ao investir numa determinada empresa tendo em conta apenas a valorização: “o nosso processo assenta numa análise fundamental e, como tal, se considerarmos que a empresa é atrativa e acreditarmos que o modelo de negócio é forte, a valorização é um elemento a ter em conta, mas não é o essencial”.

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