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Não vale tudo ao investir em matérias-primas: o gráfico que demonstra a importância de diversificar


O momento propício que o mercado apresenta atualmente (crises geopolíticas, guerra comercial, valorizações altas, pouca visibilidade das receitas das empresas e a ameaça de recessão) não só impulsionado pela procura de ativos considerados seguros como as obrigações ou divisas refúgio como o yen, ou o franco suíço. Também disparou o interesse dos investidores por matérias-primas com o duplo objetivo de conseguir uma rentabilidade acrescentada às suas carteiras e diversificar as mesmas.

Ao fim e ao cabo, segundo o último relatório sobre as expectativas de rentabilidade a cinco anos elaborado pela Robeco, as matérias-primas são o ativo que melhores rendimentos anualizados pode gerar nos próximos cinco anos (4% anuais segundo os seus cálculos). Por isso, cada vez são mais os gestores que decidem sobreponderar este tipo de ativos nas suas carteiras – fazem-no 3% destes profissionais a nível global segundo o último inquérito a gestores do Bank of America Merill Lynch.

Não obstante, tal como nem todos os investimentos em ações ou obrigações apresentam as mesmas oportunidades de investimento, no universo das matérias-primas também não vale tudo para conseguir essa rentabilidade extra e/ou essa diversificação na carteira. Basicamente existem quatro grandes grupos de matérias-primas: os metais industriais, os metais preciosos, as matérias-primas energéticas e as matérias-primas agrícolas e cada um destes grupos expõem-se a diferentes tipos de riscos, o que influencia muito o seu comportamento no mercado.

A Visual Capitalist quis refletir essa descorrelação existente entre umas e outras matérias-primas com um gráfico que denominou de tabela periódica das matérias-primas na qual incluem o comportamento que ano após ano foram tendo cada uma delas.

tabela_perio_dica

Como se pode ver no gráfico, não houve nenhum exercício no qual a mesma matéria-prima tenha estado sempre presente nem na parte superior do ranking, nem na inferior. Isto vem demonstrar a importância da diversificação dentro deste mesmo micro-universo de investimento e a volatilidade que também registam este tipo de ativos. De facto, também este ano se está a ver um comportamento semelhante em todas as matérias-primas. Segundo os dados da Bloomberg, o subsetor de metais precisos regista rentabilidades de 18% no caso do ouro e da prata, enquanto só regista 8% no que diz respeito à platina, muito mais ligado ao uso industrial sobretudo na indústria automóvel. E isso sem mencionar a queda de 25% que arrasta o petróleo ou os 7% do cobre.

Que tipo de matérias-primas podem então fazer sentido num momento como este? Tudo depende da evolução da economia e de como se desenvolverem esses riscos geopolíticos que tanto impacto tiveram no mercado, mas onde parece haver agora mais consenso é no ouro. “O ouro não só está a beneficiar do contexto de taxas de juro negativas, mas também do aumento dos riscos geopolíticos, como as tensões políticas entre a Arábia Saudita e o Irão e a atual incerteza quanto ao Brexit que suporta a sua condição como refúgio seguro”, afirma Aneeka Gupta, diretora de Análise da Wisdom Tree.

Por sua vez, Gilles Seurat, gestor de multiativos de La Française AM defende que o ouro pode ser um dos grandes beneficiados se a Fed continuar a reduzir as taxas de juro a curto prazo. “Isto aumentará a pressão para obter rendimentos reais mais baixos e deverá ajudar o ouro”. Não obstante, adverte que estas previsíveis subidas podem ser mais contidas do que as vistas no passado. “Um dos obstáculos à subida do ouro é o posicionamento dos investidores, que parece estar saturado; isto poderá abrandar os avanços, mas provavelmente não conseguirá inverter a tendência de subida dos preços do ouro”, afirma este especialista.

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