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“Na solidão dos campos de Algodão” em cena no São Luiz


Na Solidão dos Campos de Algodão é uma obra muito representativa de Bernard-Marie Koltès, que nos apresenta uma atitude insubmissa face à hierarquia social do bicefalismo estrutural de dois extremos: o vendedor e o comprador.

No início é uma procura, uma proposta, uma sedução empenhada em conseguir transmitir e receber, mas logo surge a dúvida sobre a incomunicação e a crua desconfiança que uma sociedade multiétnica e multiracial impõe, transferindo este encontro para a inevitabilidade do homem contemporâneo enfrentar as frustrações para satisfazer as suas mais recônditas urgências.

O contacto de duas pessoas sem passado comum, sem linguagens familiares e sem cumplicidade histórica acontece em território neutro, numa noite fria deserta de sinais, numa qualquer rua sem memória, silenciosa. Como dois animais que se cruzam no mesmo território, uma hostilidade violenta submerge estes dois seres. Igualmente confusos, cara a cara, dois estrangeiros, digladiam-se num tempo e espaço de diálogo ou morte. É um combate dialéctico, dominado pelo medo, que apesar da densidade verbal assinala um conflito que ultrapassa as palavras. Sem alternativas à ausência de desejo, surge a inevitável guerra e lutam.

Com interpretação de Maria João Luís e Rita Blanco, a peça pode ser vista de quinta a sábado no São Luiz Teatro Municipal.

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