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Na próxima semana vou estar de olho na dívida pública americana e portuguesa


(O 'Esta semana vou estar de olho em... desta semana é da autoria de Luís Mateus, responsável research fixed income da Golden Wealth Management)

Na segunda feira vamos ficar a conhecer os dados relativos à evolução dos detentores (estrangeiros) de dívida pública norte americana, onde vamos olhar com especial atenção aos números relativos às autoridades chinesas.

Recuando alguns anos, verificamos que a China fez um percurso notável nas últimas décadas, transformando-se por completo enquanto nação e modelo de desenvolvimento. Em 1995 a economia chinesa representava cerca de 2% do PIB mundial e decidiu-se então a enveredar por um processo de reformas estruturais que transformassem a sua economia rural de terceiro mundo numa potência mundial dinâmica e cada vez mais urbana. A estratégia definida era simples e assentava num processo de desvalorização da sua moeda (numa década o Yuan desvalorizou mais de 80%). Como consequência, a China passou a receber elevadas quantidades de capital (em especial de grandes fabricantes multinacionais) atraídos por mão de obra barata (e por capital ainda mais). Toda esta situação colocou um dilema às autoridades, que para manterem estes fatores de competitividade viram-se obrigadas a manter o Peg (vender – criar -Yuans e comprar USD e outras moedas de forma massiva!). De quase zero em 2001, as reservas cambiais ascenderam a $4Trn em 2013, com profundas implicações para sistema financeiro global.

O destino privilegiado deste stock de capital foi em grande parte (e durante muitos anos) “o” ativo internacional líquido isento de risco: dívida pública norte americana, ajudando a suportar uma tendência de descida das taxas de juro no USD, exportando em simultânea deflação para o resto do mundo (inundando mercados com produtos baratos e com uma importância crescente na escala de valor ao longo dos anos).

A agora nova abordagem de “reciprocidade de tratamento” ao nível das trocas comerciais, tem sido o mote para a administração Trump enveredar por um processo de renegociação de acordos comerciais com os seus parceiros, apontando (entre outros) baterias à China.

Numa altura em que a Reserva Federal norte americana está em processo de normalização da sua Política Monetária e os défices orçamentais dos EUA estão em tendência ascendente (e deverão assim continuar com as políticas fiscais desta administração), vai ser curioso verificar quem anda a comprar a dívida pública dos EUA, com particular atenção aos “sinais” transmitidos pelas autoridades chinesas.

Para terminar a semana vamos todos aguardar pela pronúncia da Moody’s e da DBRS relativamente ao rating da República Portuguesa. Apesar de não se esperarem grandes alterações de discurso face à canadiana DBRS, é já aguardada com alguma expetativa a opinião da Moody’s, a única das três grandes que ainda não tem reviu o rating de Portugal para o nível de Investment Grade. A notadora já referiu que está só à procura de uma “consistência dos bons resultados” obtidos pelo país, pelo que se não for esta semana tratar-se-á apenas de uma questão de tempo para rever a sua opinião. Um pouco alheios à opinião da Moody´s os mercados têm vindo a reconhecer o bom momento de Portugal e o IGCP continua a fazer um bom trabalho a gerir as necessidades de funding do país (já estarão asseguradas 63%). Esta semana regressou aos mercados e levantou através de um sindicato bancário €3Mm numa linha a 15 anos (depois de numa operação semelhante ter obtido €4Mm em janeiro).

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