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Morgan Stanley identifica as três áreas de crescimento das gestoras… e a gestão passiva não é nenhuma delas


O aumento da concorrência no sector da gestão de ativos em conjunto com a queda da rentabilidade, que se espera para todos os ativos a longo prazo num contexto de taxas a 0%, são as razões pelas quais se espera que se limite o crescimento do negócio da gestão de ativos no futuro. De facto, o relatório realizado pela Morgan Stanley em conjunto com Oliver Wyman, intitulado Searching for Growth in a Age of Disruption, prevê que durante os próximos cinco anos as receitas da indústria cresçam só 1% anualmente, o que é o mesmo que um quarto dos 4% de crescimento que tiveram nos últimos cinco anos. “2018 mostrou como as valorizações das empresas de gestão de ativos caíram para mínimos dos últimos 20 anos devido às dúvidas sobre o seu crescimento no futuro. A indústria enfrenta decisões muito importantes”, referem no relatório.

Não obstante, o facto de se antecipar que o panorama da gestão dos ativos será complicado nos próximos anos, num mundo de elevada concorrência e de redução de comissões, isso não implica que não existam áreas de negócio que possam elevar do 1% de crescimento de receitas previsto. De facto, a Morgan Stanley identifica três claras fontes de receitas a médio prazo. Surpreendentemente, nenhuma delas se refere à gestão passiva, uma das áreas que nestes momentos concentra os maiores esforços das gestoras e que se espera que continue a representar 6% das receitas das empresas de investimentos no ano 2023, a mesma percentagem que agora.

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O potencial do mercado chinês

Uma dessas três vias de crescimento passa pelo desenvolvimento no mercado asiático, e mais concretamente no chinês. De facto, espera que a parte das receitas que as gestoras recebam por parte dos seus clientes em mercados emergentes cresça até representar 23% do total (agora é de 15%), superando assim, por exemplo, a quota que representará nas suas receitas a gestão ativa, hoje em dia a sua principal fonte de receitas.

“O desenvolvimento nos mercados emergentes representa uma oportunidade de crescimento que pode gerar 30.000 milhões de dólares em receitas líquidas, metade delas na China. A oportunidade de crescimento será mais local e para beneficiarem disso as gestoras de ativos estrangeiras terão de ter modelos de negócio mais locais”, afirma o banco americano.

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Nestas positivas perspetivas desconta-se uma abertura do Governo chinês a respeito do investimento estrangeiro – de facto, na semana passada a Assembleia Nacional chinesa já aprovou uma nova Lei para impulsionar o investimento estrangeiro– e, além disso, destaca o impulso que pode representar para o mercado chinês a decisão do provedor de índices MSCI de aumentar o peso dos títulos A chineses nos seus índices. E nessas previsões para com o mercado chinês também recorda que o negócio da gestão ativa apresenta mais potencial de crescimento que nos mercados desenvolvidos já que “a população não parece confiar ainda nos índices passivos, o preço dos ETF é ainda muito semelhante ao dos fundos ativos e o facto de ser um mercado ineficiente e com falta de uma forte governança em muitas empresas cria grandes oportunidades para gerar alfa aos gestores ativos”, indica o relatório. Já para não mencionar que estas gestoras encontrarão menos dificuldades regulatórias do que na Europa ou nos EUA no momento de desenvolver os seus negócios.

Desenvolvendo os ativos alternativos

A segunda grande pegada de crescimento é para a Morgan Stantley o potencial que apresenta a gestão alternativa, englobando neste universo tanto o investimento em hedge funds como a que se refere ao capital privado, infraestruturas ou mercado imobiliário. Daí que cada vez sejam mais as gestoras tradicionais que, sobretudo através de operações corporativas estejam a concentrar os seus esforços em crescer num tipo de ativos que, além disso, são os que apresentam as maiores expectativas a respeito da rentabilidade. Por exemplo, segundo as estimativas do BlackRock Investment Institute, três dos cinco tipos de ativos que melhores expectativas de rentabilidade apresentam a cinco anos para um investidor em euros, pertencem ao amplo universo de investimentos alternativos (capital de risco com 12,1% anual, empréstimos diretos com 7,4% e investimento em infraestruturas com 6,4%).

Pelo que não é de estranhar que a procura em direção a este tipo de ativos que apresentam esse prémio de liquidez esteja a aumentar. “A procura atual é dirigida sobretudo por investidores como planos de pensões, fundos soberanos, investidores com um alto poder de compra, fundações, e seguradoras que já apresentam percentagens de atribuições em direção a estes ativos ente 0 e 40%, afirmam na Morgan Stanley.

Menos produto e mais soluções

Por último, a terceira área de crescimento que identifica o banco de investimento norte-americano tem muito a ver com uma das mensagens chave que as gestoras de ativos estão a transmitir nestes últimos tempos: a ideia de deixar de oferecer produtos para começar a oferecer soluções de investimento que respondam às diferentes necessidades dos seus investimentos. “A nova tecnologia está a permitir habilitar soluções personalizadas para cada tipo de cliente, fornecendo cerca de 7.000 milhões em receitas. Os produtos orientados para cada cliente cresceram e a procura a respeito de soluções flexíveis orientadas para a reforma gera uma oportunidade face ao futuro. A evolução da gestão de dados e a automatização dos mercados de massa e para as gestoras de ativos permite-lhes redefinir as suas relações com os clientes”, referem da Morgan Stanley.

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