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Money for Nothing


Os Dire Straits foram uma das bandas musicais mais emblemáticas dos anos oitenta, cujo significado do seu nome, “uma situação muito complicada”, enquadra-se bem nos tempos de pandemia em que vivemos. Um dos seus melhores álbuns “Brothers in Arms” de 1985, foi revolucionário na indústria e pioneiro no processo de gravação e masterização totalmente digital, tornando-se o primeiro álbum da história a vender um milhão de cópias no formato de CD.

“Brothers in Arms” é também o nome da última de uma das nove músicas que compõe este álbum e que nos tempos que correm, remete-me para uma metáfora sobre a aliança indissolúvel entre os Governos e os Bancos Centrais a nível global, onde em conjunto ambos optaram pela única saída possível desta crise, aquele que passa por tentar acomodar tudo e todos neste “One World”, o título da oitava música.

Neste quadro complexo em que vivemos confinados, a civilização vai acabar por conseguir resistir a este flagelo e ultrapassar esta crise porque “The Man`s Too Strong” e porque a aliança encarregou-se de assegurar os meios para que todos  “Ride Across the River”, como na sétima e sexta músicas. Mas para além de todo este empenho, temos de ter presente que os avanços científicos nos fazem pensar  “Why Worry”. Afinal a linha de tempo da pandemia está a começar a encurtar, com 5 ou 4 vacinas que por aí chegam, que são “Your Latest Trick”, tal como a quinta e quarta música do álbum.

Mas há que ter em conta, que apesar de todo o esforço, a vida não tem sido fácil para muita gente, onde infelizmente muitos têm feito este “Walk of Live”, com pouca saúde, muitas preocupações e provações. Mas felizmente há a perspetiva que durante o próximo ano vamos começar a entrar num processo de maior normalização económica suportado por um período duradouro, em que vamos obter “Money for Nothing”. Esta é já a segunda música deste álbum, e reflete a simetria dos dois planos básicos criados pela aliança, o de assegurar o emprego com a criação de mais dívida. Não existem dúvidas que a pandemia vai acelerar todo o processo de digitalização nos serviços e a robotização na indústria, com previsíveis impactos deflacionistas duradouros. Ao mesmo tempo que, estas novas tendências não só complementam como acentuam as dinâmicas dos outros dois temas estruturais subjacentes à deflação, o crescimento do endividamento e o maior envelhecimento da população.

Mas antes de chegarmos à primeira música deste magnífico álbum, temos de perceber porque é que esta aliança pode ser tão importante para uma maior subida do valor dos ativos de risco, durante os próximos anos. A forma mais fácil de se responder a esta questão é a de simplesmente levantar-se uma outra:

- O que é mais importante para valorização de uma empresa, perder um ano de cashflow ou descermos para um terço ou para metade a taxa de perpetuidade com que descontamos a capacidade de se gerar cash flows futuros?

Dada a necessidade premente de se gerar mais dívida, para se fazer face a tantas dificuldades, a forma como vamos olhar para a normalização do ciclo monetário vai ser diferente.  Como é preciso dar aos Estados a capacidade de adotarem políticas de emprego que reconvertem a mão de obra e que gerem novos postos de trabalho, há que aguardar, na melhor das hipóteses, por pelo menos uma década, para que vejamos as primeiras ameaças sérias de uma subida de taxas de juro no mundo ocidental. Em bom rigor, uma alteração da percepção do valor da perpetuidade pode fazer toda a diferença, uma vez que, uma qualquer subida de taxas de juro encontra-se “So Far Way”, tal e qual como o título da música de abertura deste álbum. Se assim for, não faz muito sentido querer lutar contra esta poderosa aliança, cabendo agora a cada investidor o dever de se focar na prospeção e na análise daqueles ativos que incorporam as novas tendências, como todas as que estão direta ou indiretamente ligadas. à sustentabilidade económica e social  e à longevidade humana, e que de certa forma, ainda detêm a capacidade de oferecer retornos reais no longo prazo.

O tempo passou a correr e sem quase darmos conta, acabámos por percorrer em trajetória descendente todas as nove músicas deste álbum intemporal, “Brothers in Arms”. Quem sabe se este não nos inspira a tomar algumas sábias decisões?...

“…Now the sun's gone to hell

And the moon's riding high

Let me bid you farewell

Every man has to die

But it's written in the starlight

And every line on your palm

We're fools to make war

On our brothers in arms…”

Brothers in Arms - Dire Straits

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