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“Momentum altamente favorável” da economia nacional deve continuar em 2018


Numa análise ao contexto económico nacional, a equipa de análise do Bankinter revela que a tendência de forte crescimento se mantém, perspetivando um crescimento de 2,6% do PIB português no conjunto do ano de 2017. Para 2018, a estimativa é que cresça 2%, sendo que, em 2019, deverá crescer 2,2%. Este crescimento está assente em dois grandes fatores: investimento e consumo privado.

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No que diz respeito ao consumo privado, a entidade destaca que a expectativa de um abrandamento do mesmo parece não se ter concretizado, não só “devido ao efeito base da reversão das medidas de austeridade”, mas também devido a uma série de outros factores, que permitem “uma retoma do consumo mais sustentável e duradoura”. Entre estes factores estão algumas das medidas que compõem o OE2018 (alívio fiscal, descongelamento das carreiras na função pública, faseado até 2019, e aumento do salário mínimo mensal), que irão permitir um aumento do rendimento das famílias, impulsionando o consumo. Relacionado com o consumo está ainda outro factor – o Indicador de Confiança do Consumidor – que, em outubro, atingiu um novo máximo histórico.

O ritmo de criação de emprego é outro dos factores que a entidade destaca, referindo que, “desde 2013, foram já recuperados “cerca de 80% dos postos de trabalho remunerados perdidos durante a crise”. Da mesma forma, a queda da taxa de desemprego surge como um factor importante para a dinamização do consumo privado, que “ajuda igualmente a reduzir o défice público, uma vez que representa uma poupança para a Segurança Social com o pagamento de subsídios, além da maior receita proveniente das contribuições dos novos trabalhadores”. A entidade estima, assim, que o consumo privado cresça 1,8% em 2018 e 2019.

Manutenção do ritmo robusto de crescimento exige investimento

Apesar do bom momento dos indicadores laborais, a equipa de análise do Bankinter alerta que a robustez do crescimento do PIB nacional só será possível se existir investimento. “Nesse sentido, é de especial relevância a forte retoma que temos assistido este ano na Formação Brutal de Capital, tendo crescido no 3o trimestre cerca de +10% face ao período homólogo”, destacam. No sector privado da economia, o recente esforço de desalavancagem realizado pelas empresas privadas desde 2013 é um factor positivo, sendo que o seu nível de endividamento, atualmente, se situa em 138% do PIB.

Dito isto, na entidade acreditam que “algumas dessas empresas se encontram numa posição financeira mais confortável para voltar a investir”, num contexto marcado por uma maior procura (tanto a nível doméstico como internacional); indicadores de confiança em máximos pré-crise (tanto na indústria como nos serviços); custos de financiamento em mínimos históricos; e maior estabilidade no sector bancário.

No que diz respeito ao investimento público, a perspetiva é que este registe também uma retoma em 2018. As medidas contempladas no OE2018 apontam para isso mesmo: um aumento de 40% face ao OE2017. Não obstante, tal como destaca a entidade, este aumento não altera o facto de Portugal ser um dos países que menos investe no mundo, “com um rácio de Investimento Público/PIB inferior a 2%”. No cômputo geral, a equipa de análise do Bankinter estima que investimento cresça 6% este ano e 4% em 2019. A Procura Externa Líquida, por sua vez, apresenta-se como um dos indicadores que contribuirá negativamente para o crescimento do PIB português em 2018, uma vez que a perspetiva é que esta recue 0,1%.

Endividamento público: a principal fragilidade da economia nacional

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O ponto que merece especial atenção no capítulo das finanças públicas é, para a equipa de análise do Bankinter, o endividamento público. Apesar de no período mais recente Portugal ter aproveitado para refinanciar a sua dívida a um custo bastante inferior, mantém-se o elevado endividamento público – Dívida Pública representava 130,8% do PIB em setembro de 2017. Dito isto, a entidade afirma que “continua a justificar-se a existência de um spread de risco face aos seus congéneres europeus”, sendo que o grau de endividamento impede uma perspetiva mais otimista do contexto económico português. Ainda assim, o “momentum altamente favorável” da economia nacional é “uma excelente oportunidade para corrigir e eliminar os erros do passado, nomeadamente o excessivo endividamento da economia, que não deve ser desperdiçada”, constatam.

Sonae, EDP e NOS

Por fim, quanto às empresas portuguesas a ter em conta para o novo ano, Sonae, EDP e NOS surgem como as empresas que a entidade considera mais atrativas. "Acreditamos que a Sonae é um excelente veículo para ganhar exposição à melhoria do contexto económico português, uma vez que está presente em vários setores da economia, como o retalho, imobiliário ou industrial", justificam. Quanto à EDP, a escolha prende-se com o facto de "apresentar um modelo de negócio diversificado e uma crescente exposição ao negócio das energias renováveis, e ainda pela recente venda de ativos regulados de gás, que permitirão não só canalizar capital para o negócio das energias renováveis, mas também reduzir a dívida", explicam na entidade. Por fim, a entidade considera que a NOS "ainda se encontra a preços atrativos", tendo "registado, consecutivamente, aumentos do número de subscritores em todas as linhas de negócio". Por outro lado, "entra agora num ciclo de maior geração de free cash flows, depois do forte período de crescimento", pelo que este título surge entre os três títulos portugueses preferidos pela entidade. 

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