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Mirante desembarca em Portugal com a sua histórica estratégia de convertíveis globais


Giuseppe Mirante, fundador e diretor de investimentos da Mirante Fund Management, “não gosta de estar na moda”. Como gestor com mais de 20 anos de experiência em convertíveis, Mirante viveu na primeira pessoa os perigos de ser o produto estrela do momento. Nos anos anteriores à crise, os fundos convertíveis promoviam-se como “o melhor dos dois mundos” face à bolsa e às obrigações. “Mas 2008 demonstrou que podiam chegar a ser o pior de ambos”, conta. “Não se podem vender sonhos aos investidores. Para nós é imprescindível gerir com a qualidade e liquidez em mente porque no fim é o meu nome que está em jogo”. Essa filosofia defensiva é a que emprega a proposta da empresa suíça, que aterrou recentemente no mercado português com o seu fundo bandeira, o MFM Global Convertible Bonds.

Uma das coisas das que está mais orgulhoso é do track record tão longo do fundo, lançado em 2003. Especialmente tendo em conta que se movimentou num dos sectores mais penalizados durante a crise financeira. “Em 2008 os spreads de crédito aumentaram 400 pontos base à medida que os hedge funds desfaziam posições. Pensava que tinha chegado o meu fim, que teríamos de fechar”, recorda Mirante.

Longe disso, o gestor manteve a sua convicção em apostar en emissões de qualidade e defensivas. No fim desse ano tinham conseguido mitigar grande parte das perdas e fecharam 13% melhor que a queda média de 35%-50% deste tipo de fundos. A empresa recebeu um prémio Lipper pela sua gestão nesse ano. “Surpreendeu-nos, porque nunca se ganham prémios com uma filosofia cautelosa”, brinca. Mirante está consciente de que o seu fundo não é o mais “sexy” no ano de bonança, mas querem ser uma alternativa para os exercícios mais complicados.

No ano passado voltou a chegar essa oportunidade. Terminaram 2018 com uma queda de 5,9%, em linha com o seu índice de referência, mas uma volatilidade de 2,75%. No histórico fundo (em formato UCITS) conseguiram uma rentabilidade anualizada líquida de comissões de 3,1%. Mas o que mais ressalta à gestora é que a volatilidade conteve-se nos 4,2% com um drawdown máximo de 21% desde o lançamento da estratégia há 14 anos. E eliminando o período máximo de 2008, a volatilidade reduz-se para 3,6% e um drawdown máximo de 10%, o que se traduz num rácio de Sharpe de 0,93 líquido de comissões. “O MFM Global Convertible Bond não é uma alternativa às ações, mas sim às obrigações”, remarca.

Um pouco de história

A relação entre Mirante e os convertíveis remonta ao início dos anos 90, quando trabalhou como trader de obrigações convertíveis para entidades como a Morgan Stanley e Lehman Brothers. “Fui dos primeiros a fazer arbitragem neste tipo de emissões”, recorda. Nesses anos os fundos de convertíveis apresentavam-se como uma proposta face aos fundos de ações. Passando ao lado comercial da indústria, já na Suíça, ficou mais desperto para pensar neste tipo de estratégias num contexto mais defensivo e focado em ser uma alternativa às obrigações.

Em 2003 criou a MFM Mirante Fund Management, que já conta com 1.000 milhões de euros em ativos sob gestão e uma equipa de 10 profissionais entre gestores, especialistas de produto, etc. Também nasceu nesse ano a sua estratégia de convertíveis globais. Em todos estes 16 anos o fundo manteve um rating de grau de investimento.

Em 2008 complementaram a gama com o lançamento do MFM Convertible Bonds Opportunities, uma estratégia mais dinâmica que pode investir em toda a curva de convertíveis, além do grau de investimento. E no fim de 2014 lançaram o MFM Global Thematic Long/Short Equity; como o seu nome indica, um temático que pode estar longo e curto. O gestor, Alexis Dawance, que trabalhou com Mirante durante a sua etapa na Lehman Brothers.

“Queremos propor fundos com uma vantagem competitiva”, explica Mirante. Assim, na lista de projetos que tem em mente faz parte um fundo de green bonds e um fundo de Long/Short Europeu de oportunidades em crédito.

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