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Michael Hasenstab posiciona-se perante uma subida das taxas de juro


“A época das taxas de juro historicamente baixas nos EUA pode estar a chegar ao fim”, começa por afirmar Michael Hasenstab, gestor dos fundos Templeton Global Bond e Templeton Global Total Return, na última publicação da Franklin Templeton Investments.

As expectativas deste especialista apontam para uma subida das taxas de juro nos EUA que deverá ocorrer no segundo semestre de 2015. Neste sentido, Hasenstab percorre alguns aspectos da sua alocação desde janeiro que, na sua opinião, lhe permitirão beneficiar de um contexto futuro de subida de taxas e, igualmente, subida sistemática do mercado de obrigações, no seu global. Acresce ainda dizer que as alterações e a própria gestão ativa levada a cabo visa ainda a cobertura de risco global nos próprios mercados de obrigações tanto de países desenvolvidos como emergentes.

Templeton Global Bond: três áreas de posicionamento ativo

A equipa gestora liderada por Michael Hasenstab tem vindo a reduzir a duração da carteira do Templeton Global Bond Fund, desde o início do ano, aumentando a correlação negativa com as taxas de juro das treasuries. Repare-se que durante o mês de janeiro as yields das obrigações norte-americanas a dez anos passaram de 2,17% para 1,64%. Para este efeito e, porque consideram uma forma de tirar partido no futuro da subida de taxas de juro nos EUA que preveem para a segunda metade do ano, incrementaram o uso de swaps sobre taxa de juro do Tesouro norte-americano com uma relação de pagamento de taxa fixa e recebimento de taxa variável sendo esta a primeira área de posicionamento do fundo.

Segundo salientam no documento emitido pela gestora norte-americana, isto fez, naturalmente, com que a duration das carteiras se tenha reduzido com o aumento da correlação negativa com as taxas de juro norte-americanas. A duration média do Templeton Global Bond Fund caiu de 1,59 para 0,34, entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano. Já no final de março essa duration atingia os 0,24 anos.

A segunda área de posicionamento deste fundo de obrigações relaciona-se com a adopção de posições longas em dólares face ao euro e ao iene. Já a terceira e última área prende-se com a seleção criteriosa de divisas emergentes e exposição a emissões obrigacionistas domésticas de determinados mercados emergentes.

Na nossa opinião, estas três áreas devem entrar nas nossas estratégias, não apenas como proteção contra o risco de taxa de juro, mas também para conseguir gerar rendimentos positivos num enquadramento de subida de taxa de juro a nível global”, sublinham.

Subida na segunda metade de 2015

A conjugação da taxa de desemprego e da inflação nos EUA, faz com que a Franklin Templeton aponte para o segundo semestre a subida das taxas de juro por parte da Reserva Federal Americana. Além desses dois factores, a entidade “acredita que a recuperação económica é robusta e que apenas um acontecimento inesperado de grande dimensão poderá descarrilar completamente a normalização da política monetária”. À medida de que a FED comece a relaxar a sua intervenção em termos de política monetária, as treasuries vão começar a normalizar-se e a regressar a níveis próximos da taxa de crescimento do PIB nominal dos EUA. A gestora acredita que “para o atual crescimento do PIB nominal, era coerente que a taxa de juro nominal rondasse os 4%. Atualmente, acreditam que os investidores enfrentam riscos assimétricos, tendo como objetivo o aproveitamento desses mesmos riscos através do posicionamento descrito especialmente por meio dos swaps sobre taxas de juro.

Mais fontes potenciais de rendimento

Além do mencionado, a entidade tem também “posições vendedoras em ienes e euros, para beneficiar da depreciação monetária ligada às medidas de Quantitive Easing do Banco Central Europeu e do Banco do Japão”. Ao longo dos últimos doze meses, essas posições negativas geraram rendimentos positivos acumulados e “ajudaram a compensar a depreciação monetária nos países emergentes face a um fortalecimento do dólar”. 

Da gestora realçam, ainda, o facto do aumento das taxas de juro poder aumentar a volatilidade a nível mundial no curto prazo, tornando o dólar ainda mais forte face a outras moedas. Desta forma, as obrigações emergentes e as divisas desses países podem ser penalizadas durante uma fase inicial de um ajuste monetário nos EUA. “As nossas posições curtas em euros e em ienes, face ao dólar norte-americano estão desenhadas para ficarmos protegidos contra possíveis efeitos adversos quando as taxas de juro subirem”, justificam.

Por último, referem, “mantemos posições em divisas e obrigações em moeda local de alguns mercados emergentes que apresentem sólidos fundamentais e subjacentes. O foco da Franklin Templeton dirige-se essencialmente para países com baixa alavancagem e que se beneficiem de um fortalecimento da economia norte-americana como é o caso do México e da Coreia do Sul.

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