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Merian Global Investors: As mudanças no modelo de investimento no seu fundo bandeira de retorno absoluto


A política acomodatícia dos bancos centrais causou tanto otimismo nos últimos anos nos mercados financeiros que fez com que a histórica correlação negativa que mantinham o mercado de obrigações e ações fosse pelos ares. Mas não é só isso. Também representou uma mudança radical na correlação existente entre os diferentes fatores de investimento. “Nos últimos doze meses só funcionaram as empresas que eram muito caras e em crescimento quando o que tinha funcionado em contextos parecidos nos últimos 15 anos foi uma coisa diferente”, afirma Amadeo Alentorn, gestor do Merian Global Equity Absolute Return Fund, fundo que conta com Selo Funds People 2019 pela sua classificação Blockbuster e que sofreu essa mudança de paradigmas que se viu nos mercados financeiros.

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De facto, o seu fundo em dólares acumula uma queda de 9,8% nos últimos 12 meses, que foi acompanhada de reembolsos. “O resultado é decepcionante para a empresa, para os investidores e para nós os gestores que também investimos no fundo”, confessou Alentorn. Não obstante, confia que vão dar a volta a essa tendência e para isso ele e a sua equipa implementaram melhorias no seu modelo de investimento. “Incorporámos um fator de risco para cada um dos fatores de investimento para melhorar o dinamismo na alocação de fatores”. De tal maneira que já não só se fixam nas perspetivas de rentabilidade de um fator mas também no risco de queda que o mesmo apresenta. Esta não é a primeira vez que a equipa incorpora melhorias, já que durante os mais de 10 anos que gerem o fundo estas foram feitas de forma regular.

Esses fatores respondem a cinco critérios: value/qualidade, crescimento sustentável, sentimento de analistas, gestão da empresa e dinâmicas do mercado e o novo modelo permitirá, nas palavras do gestor, “dar um maior dinamismo ao modelo value/qualidade com a opção de que ambos os componentes possam reduzir o seu peso ao mesmo tempo”. Anteriormente, a soma de ambos os componentes era próxima dos 24% e inversa, agora ambos poderão reduzir ou aumentar o seu peso ao mesmo nível. Além disso, a partir de agora será acrescentado um novo modelo de risco complementar e paralelo ao existente na fase otimização. O objetivo: retomar o compromisso que mantêm com os participantes para dar uma rentabilidade positiva em períodos de 12 controlando a volatilidade.

A atualização do modelo de valorização de fatores não é o único que a gestora levou a cabo. Também reforçou a equipa com duas novas contratações: James Murray, analista sénior e Tarun Inani, especialista em análise quantitativa. Além disso, reforçaram a equipa externa de analistas e estão a estudar a implementação no fim do ano de uma espécie de indicador de sentimento de mercado baseado nas calls que as empresas realizam nas suas apresentações de resultados, além de considerar a possibilidade de incluir ativos intangíveis no seu modelo de avaliação. “Nos últimos anos modificámos o modelo várias vezes para nos adequarmos ao contexto. É importante continuar a redefinir o conceito do que é a avaliação”, afirma Alentorn.

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