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Menu vasto de propostas de valor alternativo


Pela quarta vez, a Schroders organizou em Lisboa o evento Schroders Liquid Alternatives Day, um evento que se propõe a apresentar aos clientes propostas de valor que tipicamente não se encontram em formatos líquidos, transparentes e com custos mais enquadrados com uma gestão eficiente. Contudo, a Schroders propõe-se a identificar aquelas estratégias que se destacam pelas suas características únicas e pela possibilidade de serem postas em prática num formato UCITs, sendo agregadas na plataforma de alternativos líquidos Gaia. Andrew Dreaneen, Head of Liquid Alternatives na entidade gestora, fez questão de salientar isso mesmo, as capacidades que a plataforma proporciona aos clientes e o número cada vez mais vasto de estratégias que a integram. “Em 2009, quando a Schroders montou a plataforma Gaia haviam muito poucas estratégias alternativas em formato líquido. Hoje em dia, o número de estratégias cresceu significativamente e a oferta proporciona um menu vasto de escolhas que permite aos clientes ajustar o posicionamento em função das suas necessidades”.

A oferta, segundo o especialista,  apoia-se em três pilares. Estratégias orientadas para o crescimento – sob a forma de estratégias direcionais, long-short ou multiativos -, estratégias diversificadoras – CTAs, fundos macro, market neutral ou valor relativo -  e proteção contra a inflação – através de investimentos imobiliários e commodities. “Alguns clientes procuram alternativos pelos retornos descorrelacionados, outros pela mitigação dos drawdowns, mas a realidade é que cada vez mais procuram este tipo de estratégias para diversificar os portefólios.

Da vasta oferta de produtos na plataforma Gaia, a entidade elegeu representantes de três dos seus parceiros alternativos para apresentarem os seus fundos aos clientes da Schroders nesta quarta edição do evento em Portugal.  

Schroder GAIA Sirios US Equity

A operar desde 1999, e em formato UCITS desde 2013, o hedge fund Sirios tem provado consistentemente a capacidade de materializar alpha, não apenas daquelas empresas fundamentalmente robustas, através de posições longas, como daquelas desafiadas estruturalmente e penalizadas pelo mercado, através de posições curtas.  “Todo o trabalho que fazemos baseia-se em research in-house, fundamental e bottom-up”, resume Matt Kelley, diretor de Research e Desenvolvimento de Negócio na Sirios Capital Management. Apesar do universo de investimento ser vasto, a concentração das posições em empresas norte-americanas com mais de mil milhões de dólares de capitalização de mercado – cerca de 85% do fundo – fazem do Russel 1000 uma adequada definição do ponto de partida do trabalho da casa.

“Com a equipa dividida com base em cinco sectores gerais, o nosso objetivo é partir de um universo de 200 ações por equipa e reduzi-lo para as 20 melhores ideias. Procuramos encontrar pontos de inflexão no crescimento fundamental dos resultados e do cash-flow. Daí, construímos um portefólio de posições longas de entre 40 a 60 posições, muitas delas ‘core’, ou seja, que mantemos durante quatro ou cinco anos. Do lado curto acontece o oposto. Detemos tipicamente entre 50 a 70 posições, tipicamente mais pequenas, portanto, e cujo período de investimento varia entre os 9 e os 12 meses em média”, explica o especialista.

Tipicamente, o processo resulta numa carteira com uma exposição bruta de entre 125% e 150%, enquanto a exposição líquida, “em função da análise fundamental”, varia no intervalo entre 25% e 75%. O posicionamento atual reflete uma exposição líquida de cerca de 50%.

Schroder GAIA Contour Tech Equity

Por sua vez, Jennifer Brokaw, diretora de Investor Relations na Contour Asset Management, descreveu a estratégia que representa como um “veículo de investimento em empresas de tecnologia, media e telecomunicações, long/short, bottom-up, muito fundamental, com uma abordagem de elevado crescimento e baixa exposição líquida”. Esta abordagem especializada da Contour tem mostrado os seus resultados, nomeadamente num retorno anualizado desde o início do fundo de 14% ao ano com uma exposição líquida ao mercado de cerca de 15%. “Já a volatilidade do fundo tem rondado os 12%, dentro do nosso target de entre 10% e 15%. Nós queremos ter volatilidade no fundo porque é com a volatilidade que geramos retornos”, explicita Jennifer Brokaw.

Mas a especialista da gestora nova iorquina coloca ênfase na exposição líquida que, nas suas palavras, os diferenciam dos seus pares. “Regra geral observamos um bias muito mais para uma exposição longa entre os nossos pares”, comenta. O fundo tem como target uma exposição bruta entre os 150% e os 250% e Jennifer Brokaw salienta que se posicionam “confortavelmente” nos 225%. No entanto, a exposição líquida deverá variar num intervalo entre -25% e +25%, decisão que a profissional explica. “Achamos que faz especial sentido no sector tecnológico esta abordagem. É um sector caraterizado por uma dinâmica em que tecnologias estabelecidas se veem constantemente ameaçadas por novas tecnologias. E é imperativo que as empresas estabelecidas se adaptem, ou serão eliminadas. Como esta relação é permanente, encontramos sempre oportunidades para nos posicionarmos longos e curtos. O nosso track record comprovado tem mostrado a nossa habilidade na previsão das ações que ganham e perdem, mas não prevemos para onde irão os mercados. Daí que faça sentido gerir com uma exposição líquida apertada”, explica.

Schroder GAIA Wellington Pagosa

Por fim, Manuel Kalbreier, diretor executivo na Wellington Alternative Investments apresenta o Schroder GAIA Wellington Pagosa, um fundo multi estratégia composto por hedge funds da casa de investimentos norte-americana Wellington, uma entidade privada, detida na totalidade por mais de 100 partners que são simultaneamente profissionais ativos na empresa, como gestores ou analistas.

A abordagem da Wellington aos fundos multi-estratégia passa por selecionar estratégias dentro  do universo da entidade gestora e encaixá-las no sentido de obter uma estratégia com as melhores características. Obviamente temos  de tomar decisões de alocação, mas estas não são baseadas na nossa opinião de se os mercados de ações vão subir ou descer ou se esta ou outra estratégia são as adequadas num determinado momento. O fundo Pagosa baseia-se no facto de que conseguimos selecionar os melhores hedge funds e encaixá-los, no sentido de obter um perfil de retorno e risco ‘todo o terreno’, independentemente da direção dos mercados”, explica Kalbreier. A expressão chave é, para o especialista, ‘as melhores estratégias’ e as melhores estratégias “são geridas pelas pessoas mais talentosas, e as pessoas mais talentosas serão atraídas pela oportunidade de se tornarem um dos partners de uma entidade gestora que supervisiona mais de um bilião de dólares em ativos”.

Na atualidade a Wellington tem cerca de 77 diferentes estratégias alternativas no seu universo, lançadas para “capturar inovações que se foram verificando no mercado”, sejam ao nível de crédito e taxas, sejam macro ou prémios de risco e fatores de investimento. “E é deste universo que selecionamos as estratégias que entram no Pagosa. O que tentamos fazer é proporcionar retornos entre 6 e 8% e mitigar os drawdowns, isto sem nos apoiarmos em qualquer beta estrutural em relação a taxas de juro, crédito ou mercados de ações”, descreve. Desde o início da estratégia em 2012, o fundo obteve um retorno anualizado de 6,5% com uma volatilidade de 4,5%, o que se configura num sharpe acima da unidade. O drawdown máximo do fundo foi de -5,4% no período.

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