Mensagens de aviso das gestoras internacionais para os seus clientes


No final do ano, as gestoras internacionais costumam publicar os seus relatórios de perspetivas. Em geral, estes tendem a ser otimistas, sobretudo quando as coisas a nível macroeconómicas correm bem, como é o caso. No entanto, nos últimos dias, anda-se a ouvir uma mensagem muito diferente. Algumas entidades estão a recomendar aos seus clientes que prepararem as suas carteiras para uma fase de mercado pouco favorável. Uma delas é a J.P. Morgan AM, onde Manuel Arroyo, diretor de Análise e Estratégia para Portugal e Espanha, reconhece que na gestora estavam a aconselhar os seus clientes a preparar as carteiras para um final de ciclo.

Contudo, a casa americana não é a única que está a sentir esta necessidade. Outras também estão a lançar mensagens de aviso aos seus clientes. A última a fazê-lo foi a Robeco, que não andou com rodeios e incentiva abertamente os investidores a “prepararem-se para as turbulências que se avizinham”.

Segundo o economista chefe da entidade , Léon Cornelissen, e Jeroen Blokland, responsável da gestão de multiativos da empresa holandesa, em 2019 o mercado irá apresentar duas caras. “Por um lado, teremos um crescimento contínuo, superior à tendência, nas economias desenvolvidas, assim como um crescimento um pouco melhor nos mercados emergentes. No entanto, por outro, prevê-se que o excelente panorama económico se veja ensombrado pela preocupação sobre o final do bull market dilatado que temos andado a viver, a subida das taxas de juro, as guerras comerciais, o possível sobreaquecimento da economia norte-americana e a preocupação em torno da Itália e o Brexit”, afirmam.

Na opinião dos especialistas da casa, “as cotações certamente sobem antes das coisas começarem a aquecer verdadeiramente, pelo que faz sentido começar a focar-se nas ações com perfil mais defensivo. Além das ações de baixo risco, as ações com valorização reduzida, qualidade elevada e boa rentabilidade por dividendos entrarão também nesta categoria. Após quase uma década a registar rentabilidades superiores em média, as ações norte-americanas encontram-se sobrevalorizadas, sobretudo em comparação com a de outras zonas. Esperamos que as coisas mudem, e que isso gere oportunidades em relação a 2019”, asseveram.

No caso da J.P. Morgan AM, Karen Ward, estratega chefe de mercados da gestora para a EMEA, deu as sete normas que – a seu ver – os investidores devem fazer para prepararem as suas carteiras para o final do atual ciclo económico.

Estas incluem: 1 – mover-se para um posicionamento neutro em ações, mas evitar as subponderações; 2 – manter uma diversificação regional na altura de investir em ações; 3 – evitar sobreponderações em fundos que invistam em empresas de pequena e média capitalização; 4 – reconsiderar a sobreponderação em fundos que investam em valores growth e acrescentar à carteira produtos que invistam em ações de qualidade (quality) e value; 5 – considerar o investimento em estratégias de obrigações flexíveis, que se possam mover livremente a nível regional, duração e risco; 6 – manter-se em liquidez como apostar em estratégias de obrigações de curta duração poderão ser uma base; 7 – valorizar a inclusão em carteira de estratégias que apresentem uma baixa correlação com os ativos de risco.

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