"Medidas para controlar crise do euro estão a ter efeito diferente do procurado por Draghi"


"As medidas adoptadas pelo Banco Central Europeu para controlar a crise do euro estão a repercutir efeitos, embora de uma forma muito diferente do que o seu presidente, Mário Draghi, queria: o euro tem valorizado significativamente. Enquanto isso, na luta para revitalizar a sua economia debilitada, o Japão está a tomar medidas pouco ortodoxas. Se o Banco do Japão consegue convencer os investidores de que a deflação vai dar lugar a uma inflação moderada, isto repercutirá, igualmente, nas expectativas de aumento dos preços noutras regiões do mundo, já que a inflação é um fenómeno global".

Estas são as principais conclusões a que chegam Thomas Rose, director de investimentos e gestão de risco do UBS Global Asset Management, e Pascal Guillet, outro elemento da equipa, após os últimos acontecimentos observados no mercado. Na Europa, o próprio chefe do Eurogrupo, Jean Claude Juncker, descreveu a apreciação do euro como perigosa. De acordo com os analistas da gestora suíça, este movimento debilita as exportações alemãs, o que aumenta o risco de recessão da sua economia. No caso dos países periféricos, cria obstáculos aos seus progressos e torna provável que uma saída da UEM de qualquer um deles.

A pergunta é que consequências tem isto nas ideias de investimento do UBS Global AM sobre as diferentes classes de activos? Como explicado num documento recém-publicado, em acções, a gestora favorece as bolsas da Europa continental e os mercados emergentes face a Estados Unidos. "Em geral, preferimos empresas de grande capitalização", afirmam. Neste sentido, reconhecem sentir certa preferência para empresas que beneficiam de uma 'dividend yield' atractiva.

Em relação ao mercado de obrigações, no actual cenário de crescimento económico lento, inflação moderada e baixas taxas de juro, Thomas Rose e Pascal Guillet estão empenhados em fazer uma selecção cuidadosa de dívida corporativa, tanto no que respeita às obrigações 'investment grade' como 'high yield', ao entender que esta estratégia será a que oferece retornos mais atractivos nos próximos meses. "Os títulos com maturidades curtas são menos sensíveis às taxas de juro, o que reduz o risco de perda se as taxas de subirem", asseguram.

No mercado de 'commodities', os analistas da UBS Global AM consideram provável que o ouro goze de maior atractividade depois do metal ter vivido um longo movimento lateral. Qual o motivo? De acordo com o apresentado no relatório, serão as dúvidas sobre a sustentabilidade dos sistemas monetários que aumentam a incerteza nos mercados, sobretudo após a entrada impetuosa do Banco do Japão no lançamento de uma política monetária muito flexível de forma a promover o crescimento econômico e superar a deflação.

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