Marisa Aguillar (Allianz GI): “Sabemos que vai haver volatilidade. Um stock picking diligente é muito importante”


A pandemia que assolou o planeta teve o seu impacto no dia a dia dos profissionais da gestão de ativos que habitualmente lidam diretamente com os clientes. Marisa Aguillar Villa, responsável pelo negócio na Península Ibérica da Allianz Global Investors e Romualdo Trancho, responsável de vendas na região, viram a sua rotina de trabalho impactada. Suspendeu-se o contacto direto, mas a comunicação remota permitiu que o apoio ao cliente mantivesse a sua intensidade. Não obstante, com toda a incerteza que ofusca o que será o seu dia a dia de trabalho no futuro, ou que tolda a visibilidade nos mercados, Marisa Aguillar e Romualdo Trancho identificam um trio de tendências de mercado cujo caminho está menos enevoado e que deverão capitalizar a atual conjuntura de mercado.

“Diria até que é mais que uma perceção, é uma constatação. Os fluxos mostram estas tendências, mas também as rentabilidades. Em primeiro lugar, falamos do investimento temático em ações. Já era uma tendência e muito se falava da sua resiliência e de que funcionaria em qualquer contexto de mercado, mas a crise que resultou da pandemia provou isso mesmo. Temas como a disrupção tecnológica, inteligência artificial, plataformas de interação e comunicação, de streaming ou jogos, por exemplo, ganharam agora muito mais visibilidade. Todos os temas relacionados com a evolução da demografia, nomeadamente com o envelhecimento da população e o aumento da esperança média de vida beneficiarão a longo prazo. O tema da saúde, também relacionado, foi claramente um setor vencedor. Todos estes são temas que demonstraram resiliência em circunstâncias de incerteza”, aponta Romualdo Trancho.

Já em segundo lugar, o profissional realça um dos temas que mais ocupava as headlines sobre o mundo da gestão de ativos antes da crise, o investimento sustentável e os fatores ESG. “A atual crise foi o teste do algodão em temas como a qualidade do governo corporativo, a pegada ambiental das empresas e o comportamento destas perante todos os stakeholders. Devemos privilegiar o acionista ou salvaguardar o bem-estar da força de trabalho? É um exemplo de perguntas que estiveram em cima da mesa”, explica. Sobre o tema, Marisa Aguillar acrescenta que “se no início da pandemia se falou que os temas que se relacionam com a economia verde poderiam ficar em suspenso”, acabaram depois por verificar que isso não aconteceu. Pelo contrário, todo o tema da sustentabilidade está cada vez mais em foco. O governo corporativo era já um fator integrante da análise e research e, nos últimos anos, fomos assistindo a um crescimento da consciência climática nessa análise. A atual crise veio colocar os holofotes no S de ESG, sobre o como as empresas tratam os colaboradores, os fornecedores e os clientes e o seu papel na sociedade”, comenta a responsável ibérica da gestora alemã.

Em terceiro lugar, Romualdo Trancho fala de um tema que sempre foi importante, mas que o é mais ainda na atual conjuntura: a importância de uma gestão ativa. “É importante, tanto entre classes de ativos como dentro das próprias classes de ativos. É evidente que a gestão passiva tem os seus benefícios em determinadas abordagens ou para determinado tipo de investidores, mas a verdade é que não diferencia o investimento. Os índices têm frequentemente vieses grandes para determinados países, empresas ou setores. Apenas os gestores ativos podem separar os vencedores dos perdedores”.

Oportunidades

Para o responsável de vendas na Península Ibérica, a cautela que pauta a visão da casa faz com que as oportunidades que encontram sejam mais táticas. “Sabemos que o mercado se move muito conforme se a luzinha do risco está em modo risk on ou risk off. E seja porque não há alternativas, ou porque há sempre o medo de ficar de fora, os investidores movem-se frequentemente em manada. Olhando para as classes de ativos em geral, a nossa opinião é que está tudo bastante caro como resultado de atividades por parte dos bancos centrais que dão a ideia que há sempre um comprador final, que estamos a operar com rede segurança. No entanto, há oportunidades quando se diferencia entre os ativos individuais. Encontramos essas oportunidades em obrigações na identificação o missmatch no universo dos fallen angels. Há que separar aquelas empresas cuja descida de rating poderá resultar num default e aquelas cuja descida é uma situação pontual e que verão a sua situação estabilizada a médio ou longo prazo”, expõe o profissional. Para capitalizar esta e outras oportunidades em fixed income, Romualdo Trancho realça a flexibilidade do Allianz Strategic Bond que se move nas diferentes subclasses de ativos de obrigações e que apresenta, em 2020, um retorno de mais de 20% com múltiplas fontes de performance.

Em ações, Marisa Aguillar destaca, por um lado, o potencial de negócios que evidenciam um crescimento estrutural histórico, bem como de alguns valores mais cíclicos que deverão beneficiar do desconfinamento e do regresso do consumo. “O mercado premeia os setores que se têm mostrado ganhadores. Setores como os que apontámos que podem ser vistos como investimentos táticos, mas também como oportunidades de longo prazo. Mas sabemos que vai haver volatilidade. Um stock picking diligente é muito importante”. Para a responsável ibérica da gestora, o Allianz Europe Equity Growth, o Allianz Global Sustainability e o Allianz Thematica são algumas das estratégias para capitalizar as convicções referidas.

Por fim, Romualdo Trancho aponta também a oportunidade que pode representar o investimento em ações domésticas chinesas. “Seja pelo crescimento do peso da China na economia mundial, a maior presença nos índices de investimento ou um menor enfoque da economia no mercado externo vemos aqui uma oportunidade”, comenta, destacando o Allianz China A-Shares como um veículo para capitalizar tal oportunidade.

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