Investir em negócios de alta qualidade


Recentemente em Portugal, Marcus Morris-Eyton conversou com a Funds People sobre o Allianz Europe Equity Growth, um fundo que conta com 14 anos de existência e que ostenta o selo Blockbuster Funds People

Trata-se de um veículo de investimento que procura investir “em empresas com capacidade para gerar um crescimento sustentável e de longo prazo durante todo o ciclo de investimento”, adianta o profissional. O processo de investimento está assente numa abordagem bottom-up, investindo em empresas de todos os tamanhos, ainda que seja mais difícil investir em empresas de enorme capitalização bolsista: “tendo em conta a dinâmica growth, investir em empresas mega cap torna-se complicado devido à impossibilidade destas oferecerem o tipo de crescimento que procuramos”, revelou o gestor. Desta forma, o processo de investimento tem em conta a valorização dos títulos, mas não só, uma vez que procuram investir em empresas cujo perfil de crescimento encaixe num conjunto de critérios e não porque estão apenas baratas. De facto, a estratégia de investimento tem uma visão a longo prazo, ou seja, o foco não são os resultados trimestrais, mas sim o crescimento da empresa ao longo de três a cinco anos: “o nosso turnover é cerca de 17%, o que é verdadeiramente baixo”.

Posicionamento ativo

Quanto ao ponto atual do ciclo, o gestor destaca que “quer se seja um investidor growth ou um investidor value, o importante é ser seletivo” e, como tal, a gestão ativa é fundamental. De facto, o posicionamento do fundo é bastante ativo de forma a que este beneficie do máximo upside possível, segundo o gestor. Nesse sentido, ainda que não considere que o mercado europeu esteja caro, “a seleção de títulos que revelem um potencial de outperformance relativamente ao mercado é um dos pontos essenciais”. Quanto ao universo de investimento, ainda que teoricamente o fundo possa investir em qualquer empresa cotada na Europa, “tendo em conta o segmento específico que procuramos, na prática focamo-nos em cerca de 200 empresas”, revela o gestor.

Por outro lado, o país ou a localização geográfica não desempenha qualquer tipo de papel diferenciador, embora exista uma forte exposição à região da Escandinávia pelo perfil das empresas inseridas nesta região. No que diz respeito à distribuição sectorial, a carteira do fundo está overweight nos sectores de tecnologia, industrial e financeiro. Este posicionamento está relacionado com a capacidade de uma empresa ser líder de mercado através da diferenciação do seu modelo de negócio, “que é muito mais fácil neste sectores”, destaca o profissional. 

O risco cambial, por sua vez, é gerido através do investimento em negócios que sejam eles próprios capazes de fazer essa gestão, não só pela sua qualidade intrínseca, mas também pela capacidade de determinar os preços do mercado onde atuam.

Perspetivas económicas

Relativamente ao contexto económico atual e futuro, Marcus Morris-Eyton destaca que a Europa e a zona Euro é uma das economias mais bem posicionadas, ainda que a situação no Reino Unido seja mais desafiante devido ao risco político. Não obstante, o gestor afirma que o Brexit não forçou qualquer tipo de reação: “este é um dos pontos-chave de deter empresas com negócios de alta qualidade, eles próprios conseguem gerir os fatores de risco. Por outro lado, uma vez que as nossas maiores posições no Reino Unido são empresas exportadoras, estas beneficiaram da depreciação da libra esterlina”, conclui.

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