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Mais danos colaterais do coronavírus: a criação de hegde funds está em mínimos de 2008


O grande objetivo que perseguem a maioria dos hedge funds é o de gerar rentabilidade independentemente do contexto de mercado. Talvez por isso podia pensar-se que o primeiro trimestre do ano, no qual o coronavírus deixou de ser um problema exclusivo da China e se tornou num problema global, podia ter sido um bom terreno para ver florescer este tipo de estratégias. Mas nada mais longe da realidade.

A plataforma de análise HFR acaba de publicar os dados de lançamentos referentes ao universo de hedge funds e os seus números apontam para uma crise na indústria. Segundo os seus dados, durante o primeiro trimestre de 2020 foram lançados apenas 84 hedge funds, o número trimestral mais baixo desde o último trimestre de 2008, altura em que estalou a crise financeira que, além disso, coincidiu com o descobrimento da fraude perpetrada por Bernard Madoff, que tantos danos causou a este tipo de produtos.

A queda no número de novos hedge funds acontece ao mesmo tempo que um aumento considerável no número de hedge funds que anunciaram a sua liquidação. Em concreto, segundo os dados da plataforma, as liquidações aumentaram até aos 304 no primeiro trimestre do ano e esse é o número mais alto visto desde o quarto trimestre de 2015 e implica um aumento de mais de 50% face às liquidações vistas no último trimestre de 2019.

Comissões em queda

No relatório também se analisa a evolução que viveram as comissões que suportam este tipo de produtos e que, tal como acontece com os fundos tradicionais, tendem a baixar num contexto no qual se esperam rentabilidades mais ajustadas, já não apenas como consequência da COVID-19, mas devida à expectativa de taxas baixas durante muito tempo.  Assim, as comissões e as comissões de performance médias de toda a indústria diminuíram cada, um ponto base até aos 1,38% no caso das primeira e 16,40%, no caso das segundas. Números muito inferiores a estes foram vistos no que se refere aos novos fundos lançados e às suas comissões de gestão que em média foram de 1,14%.

“O contexto de lançamento no início do ano 2020 foi extremamente difícil como resultado direto da queda da tolerância ao risco dos investidores e dos investidores institucionais terem reduzido, eliminado ou não terem implementado novas estratégias. As alocações alternativas de redução de risco submeteram-se a níveis mais altos de volatilidade da carteira. Conforme os mercados financeiros se ajustarem aos maiores níveis de volatilidade no prazo intermédio, esperamos que o interesse dos investidores institucionais com visão de futuro se torne mais favorável no segundo semestre de 2020”, afirma Kenneth J. Heinz, presidente do HFR.

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