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Luis Sancho (BBVA AM): "Continuamos a gostar de ações emergentes porque as taxas de crescimento associadas continuam a superar os seus congéneres desenvolvidos"


(Perspetivas para a segunda metade de 2019, traçadas por Luis Sancho, gestor de carteiras da BBVA Asset Management)

No início do ano vaticinamos que o fim do multilateralismo, entre outros fatores, seria um dos obstáculos ao crescimento económico global. Contudo, e apesar dos receios à volta da guerra comercial não se terem materializado no cenário mais adverso a verdade é que os sinais de abrandamento económico obrigaram a uma mudança de direção na política monetária dos principais bancos centrais encerrando o capítulo da normalização monetária.

Nos EUA, pelo menos um corte de taxas de juro até ao final do ano parece inevitável, o que poderá ser o catalisador necessário para mitigar os efeitos indesejados da política protecionista e manter o crescimento económico próximo dos 2,5%. Apesar da desaceleração recente do crescimento salarial das famílias, este continua próximo dos 3% suportando as dinâmicas do consumo.

Na Europa, após um 1º trimestre animador, a economia parece ter abrandado o seu ritmo de crescimento. Ainda assim, o facto do índice de surpresas positivas ter aumentado substancialmente nos últimos tempos quando comparado com os EUA faz indiciar que os cenários mais pessimistas possam não se materializar. O BCE também já reiterou a determinação para estimular adicionalmente a economia se as perspectivas não melhorarem podendo, inclusivamente, reativar a política de compra de ativos.

Na China, a debilidade do setor industrial, muito afetado pela guerra das tarifas, poderá, paradoxalmente, acelerar o processo de reconversão da economia chinesa para uma economia mais focada na componente do consumo. A moderação do crescimento do PIB vai continuar a acontecer podendo mesmo ficar aquém da fasquia dos 6%.

Os países emergentes, agora menos pressionados pela força do dólar, poderão começar a beneficiar do movimento incipiente da alteração das cadeias de distribuição provocado pela guerra comercial. O Brasil tornou-se uma fonte de exportação privilegiada de produtos agrícolas para a China em substituição dos EUA e países como o Vietname, Indonésia, Tailândia, entre outros, começam a ganhar quota de mercado à China no fabrico de determinados componentes industriais.

A dívida soberana dos países core num contexto de debilidade macro, ausência de pressões inflacionistas e sobretudo com Bancos Centrais em modo claramente expansivo, colocaram os yields, especialmente na Europa, em níveis bastante baixos, tornando esta classe muito pouco atractiva. A redução dos prémios de risco, dada a pouca atratividade da dívida alemã, em especial da dívida italiana, poderá tornar este ativo numa das melhores apostas até ao final do ano. Taxas de inflação baixas nos países desenvolvidos, com a subsequente acomodação monetária por parte do Bancos Centrais e uma potencial desvalorização do dólar poderão tornar a dívida emergente em moeda local um alvo apetecível.

No crédito, a inversão de cenário por parte dos Bancos Centrais para políticas mais acomodatícias poderá ainda dar algum suporte a esta classe. No entanto, convém ressalvar que no binómio risco/retorno de longo prazo e dado o estreitamento generalizado de diferenciais ocorrido não haverá muito mais espaço para valorizações adicionais.

Em ações, o cenário de menor aversão ao risco e níveis de taxa de juros mais baixas poderão abrir espaço para novas subidas. Consideramos que do ponto de vista de valorização as ações europeias estão relativamente atractivas, especialmente com um entorno político mais benigno, para a 2ª metade do ano. Continuamos a gostar de ações emergentes porque as taxas de crescimento associadas continuam a superar os seus congéneres desenvolvidos.  

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