Luca Paolini (Pictet AM): “A carteira 50% ações, 50% obrigações não vai funcionar nos próximos cinco anos”


Com um contexto de mercado de baixas taxas de juro durante muito tempo e com valorizações cada vez mais ajustadas num contexto ainda de recessão, encontrar ativos que permitam somar rentabilidade às carteiras sem assumir demasiados riscos não é uma tarefa fácil. Especialmente tendo em conta que os movimentos do mercado cada vez obedecem menos a fatores fundamentais e mais a fatores externos como os planos de estímulos dos governos e bancos centrais e, sobretudo, a como evolui a pandemia nas diferentes regiões do mundo.

Esta procura não só se complica a curto prazo, como também a médio prazo, o que obriga os investidores a reformular a forma como compõem as suas carteiras. “A carteira com 50% ações, 50% obrigações não vai funcionar nos próximos cinco anos”, afirmou Luca Paolini, estratega chefe da Pictet AM num encontro virtual. Ao fim e ao cabo, segundo explicou este especialista, a pandemia desencadeada pela COVID-19 trouxe consigo mudanças que afetam tanto os mercados como a estrutura da economia e que resume em três fatores-chave: mais dívida, mais protagonismo dos governos e mais Ásia.

De facto, este especialista defende que o que vamos ver nos próximos anos no mercado é uma mudança de liderança no mercado de ações, que até agora os EUA dominaram. Por isso, considera que este pode ser um bom momento para começar a olhar para a Europa e, sobretudo, para a Ásia em detrimento dos EUA. “Acreditamos que os mercados emergentes saíram por fim do “buraco” porque contam com boas valorizações, clareza quanto ao crescimento da China e debilidade do dólar. Acredito que tudo isto convida a reduzir a exposição aos EUA e a apostar noutro sítio qualquer. É um bom momento para diversificar”, afirma.

Em concreto, prognostica que nos próximos cinco anos, as rentabilidades das obrigações de países desenvolvidos se vão manter estáveis o que implica que no caso de aumento da inflação, muitos vão dar rentabilidades reais negativas. Assim, a recomendação para os investidores de obrigações que queiram conseguir melhores rendimentos é fixar-se na dívida dos mercados emergentes para a que prognostica uma rentabilidade anual próxima dos 7% em dólares. Em ações, a estimativa é que o mercado global de ações, onde os EUA têm um grande peso, renda 7% anualizados durante os próximos cinco anos, ainda que esse número possa alcançar os dois dígitos nos mercados emergentes, com a China como líder indiscutível.

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“Em obrigações é preciso investir em emergentes e em ações é preciso comprar a qualidade das ações suíças e o crescimento das asiáticas; nos mercados alternativos o que mais gostamos é o private equity pelo prémio que oferece face aos mercados públicos e também incluir ouro para diversificar”, afirma Paolini. De facto, prognostica que a debilidade do dólar e os rendimentos negativos das obrigações, em conjunto com o aumento da inflação e as crescentes incertezas políticas vão permitir ao metal amarelo alcançar os 2.500 dólares.

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