Liquidez e pouca pressão de resgates: a gestão da liquidez dos fundos de obrigações nacionais


Os fluxos de dinheiro nos fundos de obrigações parecem estar a assumir trajetórias diferentes, numa altura em que o mercado assume importantes movimentos de recuperação. Isto depois de quedas expressivas em vários segmentos, que acabaram por merecer da parte das equipas gestoras de fundos de obrigações uma resposta concertada, no sentido de garantir que a eventual menor liquidez dos produtos não era posta ainda mais em causa por possíveis resgates aos mesmos.

As gestoras de ativos nacionais com fundos de obrigações a seu cargo relatam à FundsPeople já estar “escudadas” pelos procedimentos que já implementavam nos seus fundos e que a situação trazida pela pandemia atual não foi particularmente problemática na gestão dos mesmos. Mas também os próprios bancos centrais, como recordam da Montepio Gestão de Activos, encetaram uma “ação global”, que “evitou uma situação de disrupção acentuada e prolongada em termos do funcionamento dos mercados”. A experiência da gestora nacional com três fundos dedicados às obrigações é de que “não ocorreu a pressão em termos de resgates que se poderia esperar”, e, por isso, apesar de reconhecerem “a particularidade” da situação atravessada, “as características dos ativos e o aumento ligeiro dos níveis de liquidez das carteiras, mostraram ser adequados”.

A manutenção da liquidez foi então a chave para “males maiores” vindouros, conta também a IMGA, que “para fazer face aos resgates que pudessem surgir”, manteve nos seus fundos “níveis adequados e prudentes de liquidez, utilizando o limite máximo regulamentar determinado para as categorias de fundos onde os níveis de liquidez e obtenção de preços foram mais sensíveis”. Uma ação preventiva, já que a gestora realça que “não se verificaram níveis de resgate nos fundos da IMGA que tivessem colocado em risco a liquidez dos mesmos”.

A opção primária pelos ativos líquidos também é reiterada pela GNB GA, que assume que “quando chegou o momento de reajustar as estratégias dos fundos tendo em conta os novos desafios e contexto da pandemia”, optaram por “aumentar a liquidez para próximo do máximo legal permitido e manter a opção de não comprar ativos com pouca liquidez”. A inexistência de uma pressão do lado dos resgates também foi, no caso da GNB GA, fundamental: “Outro aspeto muito importante e considerando a diminuição significativa que se verificou na liquidez em variadíssimos momentos, foi o facto de não termos sentido pressão significativa do lado dos resgates e subscrições, situação que nos ajudou muito a fazer uma gestão tranquila dos fundos”.

O Optimize Obrigações, fundo deste segmento gerido pela Optimize IP, também refletiu movimentos já descritos. Da gestora independente indicam que o produto é “composto por dívida bem líquida”, sendo “a liquidez um dos primeiros filtros da seleção de ativos”. Uma seleção que acontece pela opção por “emissões de elevada dimensão, com um número relevante de market contributors”, e evitando “emissões de longa duração, excluindo por completo emissões perpétuas e minimizando emissões com duração acima de 10 anos”. Também a gestora quis antecipar eventuais resgates e, por isso, decidiram “incrementar proactivamente o cash da carteira para os 7.5%, para evitar vender títulos nas sessões mais voláteis, caso fosse necessário”. Também no caso da entidade os resgates não foram representativos, pois, dizem, “a performance do fundo aligeirou as quedas verificadas do seu benchmark de Investment Grade e principalmente de High Yield”.

NAV sem alterações de cálculo

Por via de determinadas circunstâncias que pelos vistos se vieram a demonstrar ficar mais nos planos hipotéticos do que outra coisa, o cálculo do Net Asset Value para efeitos de cotação diária não sofreu grandes alterações face ao processo habitual. É o que conta a Santander AM, referindo que “o cálculo do NAV foi gerido sem qualquer alteração ao processo utilizado na gestora”, pois, como nos casos já citados, “os fundos da SAM são genericamente compostos por ativos extremamente líquidos, pelo que em situações de stress estão preparados para responder aos fluxos de entradas e saída”. Também a cautela acabou por ser um procedimento da gestora, que “aumentou ligeiramente o nível de liquidez dos fundos para valores superiores a 5%”.

No caso da Montepio GA, não negam que “os preços padeceram de alguma “anormalidade”, traduzida pelo aumento do spread bid-offer e/ou ausência de market markers”, mas sentem que “a situação COVID-19 acabou por não ter um impacto relevante, fundamentalmente porque não existiram situações extremas em termos de vendas forçadas”. Da mesma forma, da IMGA indicam que “o NAV dos fundos foi calculado dentro das regras regulamentarmente estabelecidas, nomeadamente para os instrumentos financeiros não negociados em mercado regulamentado, refletindo as condições de mercado a cada momento”.

 
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