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Lições históricas do aplanamento da curva de dívida americana e o risco de recessão - Chart of the Week


(O Chart of the Week desta semana é da autoria de João Lampreia, head of Research - BiG)Captura_de_ecra__2018-01-4__a_s_09

Nas últimas semanas, coincidindo com a entrada em 2018, muito se tem abordado nos mercados internacionais a temática do aplanamento da yield curve americana - indicador que tradicionalmente apresenta um poder preditivo importante no que respeita o eventual final do ciclo de expansão. Sabendo que as recessões acabam por ser inevitáveis no tempo, a sua eclosão não se deve a factores temporais, mas por desiquilíbrios macro-fundamentais que contribuem para a distorção prolongada dos preços das classes de ativos. A questão torna-se pertinente: Até que ponto estará o atual aplanamento da curva americana a descontar algum tipo de risco de recessão na maior economia mundial?

Captura_de_ecra__2018-01-5__a_s_12Neste contexto, o aplanamento da curva de dívida americana deveu-se essencialmente à subida agressiva das taxas de juro de curto prazo (+70 p.b.) via materialização de 3 subidas de taxas pelo FED no ano transato, ao passo que a yield das Treasuries a 10 anos manteve-se pouco alterada no mesmo período. A procura sobre as Treasuries continua elevada, seja pela distorção de preços via QE (taxas de juro na Europa e Japão próximas de zero), seja numa lógica de hedge para riscos de recessão/instabilidade de mercado. Este último factor traduz uma lógica mais circunstancial no “novo mundo” de taxas de juro historicamente baixas pós-QE e não tanto do pricing-in do mercado em torno da maior/menor probabilidade da emergência de riscos inflacionistas. O efeito combinado de maior dívida/défice para financiar o plano fiscal de Trump, a redução do balanço da FED e o previsivel pick-up gradual da inflação face a um mercado laboral razoavelmente “apertado” traduzem factores que deverão motivar uma inclinação moderada da curva norte-americana, salvo uma atuação excessivamente hawkish do FED.

Num backtesting ao aplanamento da curva americana no quadro histórico das 3 últimas recessões, percebemos que o spread 2/10 ficou tendencialmente nulo entre 12 a 24 meses que precederam a recessão, pelo que o nível de spread vigente (~50 p.b.) oferece algumas “garantias” que a próxima recessão nos EUA e/ou eventual abrandamento económico não deverá concretizar-se antes do final de 2019 ou meados de 2020.

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