Leilão de obrigações: risco estável de Portugal reflete-se nas taxas pagas de longo prazo


Foi a estreia de Portugal nos mercados depois do último leilão de agosto. Esta quarta-feira, num leilão duplo de emissões de obrigações do tesouro, o país emitiu 1.211 milhões de euros de dívida  a 10 e 25 anos.

No prazo mais curto, o IGCP pagou 0,329% para emitir 964 milhões de euros, uma taxa abaixo da do último leilão, altura em que se cifrou em 0,336%. A procura foi de 2,19 vezes a oferta. No prazo mais longo, o do leilão a 25 anos, Portugal emitiu 247 milhões de euros, com uma yield de 1,045%, e a procura foi 3,41 vezes a oferta.

Para Filipe Silva, diretor de Investimentos do Banco Carregosa, estes números mostram que “o risco de Portugal tem estado estável nos últimos meses”, o que se reflete nas taxas pagas nos leilões de mais longo prazo. Por um lado, “no leilão a 10 anos, quando comparado com o último leilão realizado em agosto, a yield desceu de 0,336% para 0,329%”, enquanto que “o leilão de 25 anos, foi o primeiro do ano para esta maturidade, e Portugal emitiu 247 milhões com uma yield de 1,045%”.

Na opinião do profissional, “o sucesso das emissões, bem como a estabilidade do risco da dívida soberana portuguesa, estão diretamente ligadas com os apoios que o Banco Central Europeu tem vindo a fazer para evitar uma severa recessão na Europa, derivada do impacto que a COVID-19 está a ter nas diferentes economias”. Por isso, refere Filipe Silva “será preciso esperar mais alguns meses para perceber se as medidas que cada governo está a adotar para estimular a economia, serão suficientes para preservar e conseguir criar emprego”. “Não obstante e face à massiva injeção de liquidez nos mercados, tem sido possível a Portugal conseguir renovar as suas linhas de financiamento com taxas muito baixas e para prazos mais curtos negativas, o que tem um efeito muito positivo na pressão que o custo do serviço da dívida tem nas contas públicas”, conclui.

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