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Laura Donzella (Nordea AM): “Temos que estar lá para o cliente, mas a nossa comunicação deve ser simples, intuitiva e concisa”


A expansão do coronavírus a nível global passou pela indústria de gestão de ativos como um tornado que obrigou a repensar a forma como se desenvolvem as relações essenciais neste setor. “Todos estamos de acordo em que esta crise não se pode comparar com qualquer outra”, reconhece Laura Donzella, responsável de vendas na Península Ibérica, América Latina e Ásia da Nordea Asset Management. A crise provocada pela COVID-19 requereu por parte da indústria uma adaptabilidade e inteligência emocional para enfrentar esta situação excecional.

Passaram apenas três meses desde que os países desenvolvidos começaram a congelar, um a um, as suas economias, mas esta crise deixou lições valiosas para toda uma vida. Para Laura Donzella, o fator humano continuou a ser o epicentro. Apesar da distância física, apercebe-se de uma abertura distinta entre as pessoas. “Esta crise abriu muitos canais de comunicação. Fomentou diálogos mais abertos com o cliente e maior acessibilidade”, afirma. Transformar a comunicação com o cliente foi uma prioridade onde predomina mais a necessidade de qualidade do que quantidade. “Temos que estar lá para o cliente, mas a nossa comunicação deve ser simples, intuitiva e concisa”, recomenda.

Em linha com a filosofia cautelosa e prudente que caracteriza o seu estilo de investimento, a gestora nórdica optou por tomar medidas preventivas e rápidas. Desde meados de fevereiro, todo o escritório ibérico começou a trabalhar a partir de casa e foram adiadas ou suspensas todas as viagens de avião dos membros da equipa local.

Perante uma crise com um impacto incomparável, como define a profissional, as entidades gestoras demonstraram agilidade na adaptação. “Todos tivemos que considerar a disrupção económica que causaria”, conta. Fala de disrupção na cadeia de operações e de oferta, mas também na conexão com o cliente. “Foram dias de um acesso limitado à informação necessária para tomar decisões financeiras”, recorda. Nestas primeiras semanas, a prioridade foi contactar diretamente com os clientes, dar-lhes uma visão atualizada dos investimentos existentes. “A nossa intenção foi fazer-lhes chegar a visão mais atualizada da nossa casa sobre o que estava a suceder-se nos mercados e carteiras”, conta. “Isto incluiu iniciativas como webinares sobre alguns dos produtos mais populares em Portugal, bem como o lançamento do nosso Morning Espresso. Este é um evento semanal em que partilhamos a visão macro da casa e onde entrevistamos um convidado especial, normalmente um gestor, para discutir os desenvolvimentos do mercado”, acrescenta a profissional.

Apesar da volatilidade que reinava nos mercados na entidade gestora não notaram grandes mudanças nas carteiras dos clientes. “Talvez porque connosco, investem já em estratégias muito centradas no controlo de riscos, como é o caso do Nordea 1 Stable Return Fund ou o Nordea 1 Covered Bond Fund”. Agora, percebe que os clientes passaram a uma segunda fase. “Começamos a ver movimentos. Estão abertos a assumir um pouco mais de risco”, conta. Neste sentido, Laura Donzella realça a necessidade de manter a cautela. “Manteria a receita original do plano de investimentos, talvez com algumas apostas satélite em áreas de oportunidade”, defende.

Nota também um maior interesse por estratégias ISR. “Os investidores reconhecem o valor acrescentado do ESG, inclusivamente em termos de análise de riscos”, explica. “Depois desta crise vemos uma maior sensibilidade. Antes, a sustentabilidade era interpretada como uma temática; agora converte-se em algo imprescindível”, sentencia. Nota-o através da procura por produtos da gama sustentável da Nordea, a STARS (que inclui soluções de ações e obrigações entre as quais destaca o Nordea 1 Global Stars Equity Fund), assim como pelo fundo de temáticas de sustentabilidade, Nordea 1 Global Climate and Environment Fund. “Há também aqui uma componente emocional, essa necessidade de ser parte de algo positivo para o planeta”, explica.

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