Um comportamento fora do normal que está a passar despercebido no mercado de dívida


A impressionante correção das bolsas verificada na última semana e a correção dos títulos soberanos das últimas semanas estão a fazer inúmeras capas da imprensa, juntamente com a alteração das expectativas de inflação por parte da Reserva Federal e dos últimos dados macro publicados nos Estados Unidos. Não obstante, é óbvio referir que se estão a passar mais coisas nos mercados, ainda que, quiçá, não se esteja a prestar a devida atenção a todos os fenómenos em desenvolvimento. Neste sentido, a Deutsche AM detetou um comportamento anómalo, presente no seu relatório “Chart of the Week”.

Na gestora alemã recordam que, partindo da regra geral de que um maior rendimento implica assumir maiores riscos nos mercados, geralmente os títulos com maturidades mais longas tendem a ser mais voláteis que os de maturidade mais curta, num contexto económico normal. “Isso é exatamente o que podemos ver atualmente, observando os chamados ativos refúgio, como são as Treasuries dos Estados Unidos ou as bunds alemãs”, explicam os analistas da entidade.

É aqui que surge a anomalia: “Comparando a volatilidade dos preços destes títulos com a dos títulos soberanos comparáveis emitidos por governos de mercados emergentes, surge uma imagem algo estranha. Ultimamente, as Tresuries dos Estados Unidos foram mais voláteis que os títulos de maturidade semelhante emitidos em dólares norte-americanos por vários mercados emergentes”, destacam. É uma situação que também se está produzir na comparação entre o bund alemão e outros mercados emergentes, como, por exemplo, os títulos soberanos polacos denominados em euros. “E isto é verdade, apesar dos retornos significativamente mais altos que continuam a oferecer os títulos dos mercados emergentes”, acrescentam.

Amor

Os especialistas da gestora explicam que este dado é surpreendente porque, regra geral, os títulos de mercados emergentes são percepcionados como de maior risco que os títulos dos mercados desenvolvidos, e isso deveria refletir-se nos retornos oferecidos por uns e outros. “Há algum tempo, no entanto, os investidores têm procurado a rentabilidade para atuar como amortizador de possíveis perdas no caso aumentarem as rentabilidades principais. A forte procura de títulos de mercados emergentes reflete-se na sua volatilidade relativamente baixa”, explicam na Deutsche AM.

A previsão da entidade é que é pouco provável que esta situação registe mudanças significativas no curto prazo, mas “sempre e quando o ambiente positivo para os ativos mais arriscados, suportado por dados fundamentais sólidos, continue”.

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