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Ken Nicholson (Mirabaud AM): “Negócios pequenos e com qualidade podem prosperar em tempos difíceis”


Kenneth Nicholson, senior portfolio manager das estratégias Mirabaud European small and mid cap na Mirabaud Asset Management, está convicto que o investimento em empresas europeias de pequena capitalização de mercado é uma excelente fonte de gerar alpha para as carteiras de qualquer investidor. Não o diz de ânimo leve nem sem fundamento, mas sim com base numa experiência de 10 anos a gerir estratégias small caps no continente europeu, e outros 10 a gerir estratégias semelhantes no Reino Unido. “A minha experiência deu-me a oportunidade de aprender muito, especialmente com a crise de 2008 onde pude observar como as pequenas empresas sobrevivem e inclusive prosperam em tempos muito difíceis”, refere o especialista. Exemplificou com o investimento bem sucedido numa empresa portuguesa, a Jerónimo Martins, “uma empresa muito pequena, com uma grande exposição à Polónia, e que mostrou uma excelente performance”.

Para o profissional, o ano de 2016 foi bastante difícil, mas também um ano de oportunidades. “Nos últimos 10 anos a Europa tem estado em crise, pelo que não há nada de novo, e no final, para um investidor em empresas pequenas, isso não é assim tão relevante. É importante ter um processo de investimento muito claro e identificar as empresas adequadas”, esclarece Ken Nicholson.

O universo de investimento das estratégias da Mirabaud inclui mais de 2.000 empresas com capitalização de mercado entre 500 milhões de euros e 4 mil milhões de euros. Os portefólios, por seu lado, incluem apenas umas 45 empresas, pelo que os gestores têm “margem para ser cuidadosos e muito seletivos, com imensas oportunidades para identificar empresas fantásticas”. Ken Nicholson chama-lhes os “hidden champions”.

Algumas dessas empresas destacam-se, segundo o profissional, por existirem há mais de 100 anos, outras por serem negócios com controlo familiar, no entanto, o que todas têm em comum é que dominam um nicho de mercado, “são muito boas a fazer uma coisa e concentram-se em fazê-la bem”. “São empresas com umas vendas máximas potenciais entre um e cinco mil milhões de dólares, globalmente, mas com negócios que olham, não para o próximo trimestre, mas sim para a próxima geração. Apresentam também uma elevada quota de mercado, e com essa quota de mercado vêm margens elevadas. Por seu lado, com margens elevadas e reinvestindo o cash flow em crescimento futuro, só por si amplifica o crescimento”, explica o especialista.

Ficariam surpreendidos com o quão aborrecidos são os negócios das empresas que investimos. Não são o tipo de empresa que procuram entregar as mercearias com um drone, ou que desenvolvem carros autodirigidos. Não estão na frente do desenvolvimento tecnológico, mas uma empresa com um modelo de negócio disruptivo pode ela própria ser vítima da disrupção”, explica o portfólio manager da Mirabaud AM.

Encontrar os hidden champions

Um primeiro passo do processo levado a cabo pela equipa de Ken Nicholson passa pelo screening com base em mais de 10 factores de investimento, sendo que todas as semanas é construído um novo relatório com as empresas que cumprem os critérios. “Podemos procurar empresas que recuam 90% dos seus máximos, empresas com novos upgrades das estimativas de resultados, empresas em que a própria gestão está a adquirir ações ou outras em que a capitalização de mercado acaba de passar o limite de mil milhões de euros, um limite importante para muitos investidores”, descreve.

O segundo passo do processo é ir conhecer as empresas. “No ano passado fiz 140 voos e reuni com mais de 400 empresas. É um trabalho difícil que não pode ser feito sentado à secretário com os olhos na Bloomberg. Temos mesmo que viajar e conhecer as empresas, deixar a gestão falar e explicar o contexto competitivo, a posição face aos fornecedores e clientes, ver as instalações... É como construir um puzzle massivo. Vamos juntando a informação até ter a fotografia perfeita”, explica.

Finalmente e relativamente a posições em moeda estrangeira, o profissional da Mirabaud AM é peremptório ao afirmar que “acredita que as empresas têm hedges naturais. Depois do Brexit, por exemplo, a libra caiu face ao euro, mas as empresas em que investimos subiram pela mesma amplitude e mais ainda, fruto das suas receitas fora do país. É o melhor exemplo de como funciona um hedge natural. Considerando que grande parte do negócio das empresas é internacional, achamos que não seria adequado duplicar esse efeito com um hedge de moeda. Não somos especialistas em prever os movimentos da moeda – dificilmente alguém é – então focamos naquilo que sabemos fazer bem, selecionar os títulos e com isso gerar alpha”, conclui.

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