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Justiça racial: o imperativo para a ação do investidor


(TRIBUNA de Rosa van den Beemt, vice-presidente, Investimento Responsável, da BMO GAM. Comentário patrocinado pela BMO GAM.)

O movimento Black Lives Matter é uma chamada para a mudança inspirada nos protestos antirracismo à volta do mundo. Forçou empresas a reexaminar as suas políticas de contratações, pagamentos e promoções, culturas do local de trabalho, imagem dos produtos e discriminação do consumidor.

Enquanto investidores, acreditamos que podemos contribuir ao:

·         Envolver as empresas onde investimos num diálogo construtivo para alertar para a adoção de práticas que abordam o racismo sistémico;

·         Procurar assegurar as mesmas boas práticas que adotámos nos nossos negócios e na indústria;

·         Reforçar o nosso envolvimento com o uso pensado de direitos de voto;

·         Apoiar as iniciativas da indústria e as colaborações dos investidores que se alinham com as nossas visões.

Progresso lento na diversidade racial das empresas

EUA

Nos EUA, apenas 3,2% dos executivos e gestores séniores empregados são negros, e enquanto as pessoas negras representam 13,4% da população dos EUA, há apenas três CEO negros na Fortune 500 list, menos de 1% da lista total. Também há significantes disparidades de pagamento. Os homens negros são pagos 13% menos que os homens caucasianos. As mulheres negras recebem 39% menos do que os homens caucasianos e 21% menos do que as mulheres caucasianas. Noutros países, o progresso relativo à diversidade e liderança em posições de topo são igualmente lentos.

Reguladores do país e as suas orientações

SEC - Reporting Guidance on Diversity Policies and Practices

1)     Revelar se o conselho de direção considera a (autoidentificada) diversidade como um atributo quando avaliar novos candidatos.

2)     Discussões sobre políticas de diversidade devem incluir a forma como a empresa considera os atributos da autoidentificada diversidade de um candidato.

California proposed bill – se for aprovada, entrará em vigor no fim de 2022

1) Empresas com 4-8 diretores devem ter no mínimo dois diretores de comunidades sub-representadas.

2) Empresas com nove ou mais devem ter no mínimo três diretores de comunidades sub-representadas.

Canadá

No Canadá, onde as pessoas negras equivalem a 3,5% da população, representam menos de 1% de executivos séniores e membros do conselho de administração. 75% das empresas admitem não ter qualquer representação visível das minorias nos seus conselhos.

Reguladores do país e as suas orientações

Canadian Business Corporations Act

1) Revelar a representação de mulheres, população indígena, pessoas com deficiência e membros de minorias visíveis;

2) Revelar se há políticas de diversidade em vigor para impulsionar a representação em conselhos de administração e gestão sénior.

3) Revelar mecanismos de renovação dos conselhos de administração, práticas de nomeação e objetivos de diversidade e prazos.

Reino Unido

Um relatório recente mostrou que 37% das empresas do FTSE 100 inquiridas não têm qualquer representação de minorias étnicas nos seus conselhos de administração, apesar de as recomendações do the Parker Review Committee a todos os conselhos para terem pelo menos um diretor proveniente de uma minoria étnica até 2021.

Reguladores do país e as suas orientações

Parker Review 202012 recommendations (not mandated) and UK Corporate Governance Code

1) Envolver os conselhos de administração e reportar relativamente à diversidade étnica;

2) Reportar sobre políticas de diversidade e atividades em complacência com o Corporate Governance Code;

3) Recrutar proativamente;

4) Desenvolver um reservatório de líderes de minorias étnicas.

A necessidade de transparência

Enquanto as empresas nos EUA são obrigadas a reportar os dados da diversidade racial ao U.S. Equal Employment Opportunity Commission (EEOC), apenas 25% das empresas americanas escolhem divulgar publicamente estes dados, com um ainda menos subconjunto que revela anualmente os detalhes relativos à representação de diferentes minorias étnicas em vários níveis por toda a entidade.

Apesar da exceção da África do Sul, não há nenhum país onde o reporte de dados de diversidade de empresas públicas tenha uma estatura semelhante ao das empresas nos Estados Unidos, o que torna um desafio para os investidores ter uma abordagem estruturada para votação e envolvimento na diversidade étnica e inclusão na força de trabalho em todos os mercados.

Equidade racial na indústria dos investimentos

Embora o investimento responsável tenha raízes na luta contra o Apartheid na África do Sul na década de 1970, a indústria hoje deve voltar a comprometer-se com o combate à injustiça racial dentro das nossas próprias empresas, assim como nas empresas nas quais investimos. Para isso, a BMO GAM aprovou o Investor Statement of Solidarity to Address Systemic Racism and Call to Action proveniente da coligação Racial Justice Investing, sediada nos EUA. Em linha com as recomendações da declaração, estamos empenhados em avançar no progresso na equidade e justiça racial nas seguintes áreas:

1. Envolvimento ativo na ampliação e inclusão de vozes negras nos espaços do investidor e nos compromissos da empresa;

2. Envolvimento na integração de equidade e justiça racial nas nossas próprias empresas;

3. Envolvimento na integração da justiça racial na tomada de decisões de investimento e estratégias de engagement;

4. Reinvestir em comunidades;

5. Usar a voz do investidor para promover políticas públicas antirracistas.

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