Joe Biden acaba com o Trumpismo: as primeiras reações das gestoras


Quatro dias após as eleições, Joe Biden dirigiu-se ao povo americano como novo presidente dos EUA. Fê-lo após ser conhecido o número final de votos na Pensilvânia e no Nevada, que foram os estados que lhe permitiram superar o número mágico de 270 votos eleitorais que precisa qualquer candidato antes de se tornar presidente dos EUA. Biden põe assim fim a quatro anos de Trumpismo embora Donald Trump ainda não tenha reconhecido a vitória de Biden como novo presidente e continue a insistir em fraude eleitoral.

De qualquer das formas, a reação dos mercados após se confirmar Biden como presidente eleito foi positiva. Os principais índices europeus registaram subidas superiores a 1,5% e os mercados asiáticos fecharam a primeira sessão da semana com um comportamento idêntico. Mas, o que implica a vitória de Biden para os mercados no médio prazo? Já revimos quais são os setores que vão sair a ganhar e a perder com a vitória dos democratas e agora começam a chegar as primeiras reações das gestoras à eleição do novo presidente.

“No lado positivo, muitos consideram que é provável que Biden dê prioridade a um importante estímulo fiscal adicional para ajudar a economia a continuar a recuperar da pronunciada queda causada pela pandemia de coronavírus. Não obstante, Biden também apoia os aumentos do imposto de sociedades que se utilizariam para financiar alguns dos gastos adicionais. Não é certo que se promulguem dada a oposição republicana”, afirmam na T. Rowe Price.

De facto, o ponto-chave agora para poder esclarecer que promessas de Biden na campanha eleitoral poderão tornar-se numa realidade, ou não, está em ver como fica a configuração do Senado. “A questão principal depois da eleição de Joe Biden não são os litígios que a equipa de Trump começará agora, mas a maioria no Senado com a qual o próximo Presidente terá de governar. Ainda há um caminho limitado para que a maioria seja democrata. É preciso a segunda volta na Georgia, a 5 de janeiro, ser ganha por um democrata, e assim se acrescentar tornar a Vice-Presidente Kamala Harris, como Presidente do Senado. Mas até neste caso, o viés bastante conservador de alguns senadores democratas sugere que o programa económico mais radical da plataforma democrata poderá ser difícil de levar a cabo”, afirma Didier Saint George, membro do Comité de Investimentos da Carmignac.

Se o Senado ficar nas mãos dos republicanos, isto implicará ter um congresso dividido entre democratas, com maioria na Câmara dos Representantes, e republicanos, com maioria no Senado, o que se conhece como cenário Goldilocks, e isso na teoria traduz-se em maiores dificuldades para poder aprovar o plano de estímulos adicionais que tanto reclamam os investidores. “O líder da maioria do Senado McConnell e a Presidente da Câmara dos Representantes Nancy Pelosi fizeram comentários sobre o plano de estímulos, com expectativas que provavelmente são vacilantes, dada a desconexão entre ambos os lados, o que poderá reduzir a probabilidade de um estímulo antes do fim do ano. Acreditamos que é provável que os estímulos sejam próximos de 1-1,5 biliões de dólares dos EUA, mas não sabemos quando chegarão”, afirma Esty Dwek, responsável de estratégia de mercados da Natixis IM.

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