Javier Manzanares (IASE): “Não é só agradável ser ESG, é também rentável”


A International Association for Sustainable Economy é uma associação internacional jovem e que se propõe a “democratizar” o acesso a uma certificação profissional na área das finanças sustentáveis. Javier Manzanares é o homem que lidera este projeto e é ele que assim o define, em conversa com a FundsPeople. A Javier-01low_respar da sua responsabilidade como deputy executive director no Green Climate Fund, o maior fundo do mundo dedicado a ajudar os países emergentes a lidar com os desafios ambientais, Javier Manzanares tem agora também a responsabilidade de liderar o destino de uma associação que vem “ocupar um espaço no mercado que responde a uma grande procura por parte da sociedade em geral”.

“Está-se a requerer, tanto ao setor privado como ao setor público, que quando se executem decisões de investimento ou financiamento, estas incorporem elementos ESG. A IASE encontra um espaço em que uma significativa parte dos profissionais do mundo ESG não tiveram ainda a oportunidade de incrementar os seus conhecimentos e profissionalizar-se de uma forma que resulte numa certificação que lhes possa alavancar a carreira. Isto de uma forma democrática, de forma a ir buscar toda a base da pirâmide e não só determinados nichos do mercado”, comenta.

“Em dez anos acreditamos que todo o mercado terá que incorporar de alguma forma critérios ESG nas suas atividades financeiras. Todas as entidades terão que reportar o seu nível de atividade sustentável. Além disso, a sociedade está a perceber que ao nível do investimento ou do financiamento, a incorporação destes fatores resulta em algo que é rentável, descorrelacionado, que se reflete em poupanças de custos e reduz os litígios, no longo prazo. Temos já números que o provam. Não é só agradável ser ESG, é também rentável. Mas tão importante como executar, é também transmitir. Para isso há que educar os profissionais para que informem de forma adequada os clientes e os provedores. Queremos que estes tenham os conhecimentos para aplicar os standards que as organizações e reguladores estão a pedir”, comenta.

O projeto

A Associação tem assim a missão de desenvolver esta certificação que esperam que chegue a todos os cantos do planeta. Nesta fase, são 25 os países em que o projeto está a ser desenvolvido e nenhum vai ser a cópia do outro. “A certificação em Portugal não vai ser uma cópia do que se vai fazer em Espanha ou no resto da Europa. O programa, conteúdos e exames serão adaptados às idiossincrasias de cada país e executados no idioma local, e Portugal é muito importante só por si, mas também pela ligação próxima a outros países que partilham o idioma”. 

Atualmente, está criada toda uma estrutura que se suporta nas decisões de um board em conjugação com os comités académico, de ética e institucional. Esta infraestrutura está precisamente a desenhar um programa que resultará num compêndio de questões que incorporarão os exames de certificação. “Os programas serão dois. Um dirigido ao setor financeiro, o International Sustainable Finance (ISF), e outro dirigido ao mundo corporativo, o International Sustainable Business (ISB). Estamos a trabalhar em proximidade com a Comissão e Parlamento Europeus, bem como com redes de reguladores focadas na sustentabilidade, mas o caminho passa também pelo contacto com os reguladores locais, como seja a CMVM, por exemplo. E o objetivo é, após a fase de consulta, estabelecer os exames de forma a que possam ser oferecidos ao público no princípio de 2021”, explica Javier Manzanares, que acrescenta que espera que a IASE seja a “entidade melhor posicionada para certificar estas temáticas, devido ao seu enfoque único nos fatores ESG. Outras certificações, como a CESGA ou a desenvolvida pela CFA Society UK são muito importantes e de muito prestígio, mas estão focadas nos gestores de ativos e analistas financeiros. O mercado é muito mais amplo do que isso e há espaço para todos”, termina.

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