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James Clunie (Jupiter): “O desafio dos gestores em 2017 é preparar as carteiras perante o inesperado”


O ano de 2016 brindou-nos com valiosas lições sobre as armadilhas que encerram as previsões. Acontecimentos que pareciam improváveis no início de 2016 – a saída do Reino Unido da UE e a eleição de Donald Trump como presidente dos EUA – acabaram por acontecer. “A incerteza impôs-se, ou pelo menos isso é o que nos fazem crer os meios de comunicação social. Embora estes acontecimentos talvez se considerassem improváveis, estavam muito longe de ser impossíveis pelo estreito leque de possíveis resultados em cada um deles. No entanto, como se encarregou de nos recordar a crise de crédito, não é apenas a probabilidade do acontecimento que nos deve deixar preocupados, mas sim os danos (ou recompensas) que acontecem quando ocorre”, afirma James Clunie, gestor da Jupiter.

Segundo o especialista e gestor do Jupiter Global Absolute Return, muitos especialistas deram a sua opinião durante as últimas semanas, mas ninguém pode falar com certezas sobre como poderão resolver-se as incertezas atuais. “Os mercados parecem bastante convencidos de que nos Estados Unidos se avizinha uma ‘empreitada’ de investimento em infraestruturas. O diagnóstico geral parece ser que a eleição de Trump é boa para as ações e má para as obrigações, embora pareça improvável que ambos os extremos sejam certos durante um período prolongado, tendo em conta que as valorizações da bolsa norte-americana estão em níveis excessivos”.

No seu entender, os especialistas da história dos mercados financeiros encontraram muitos exemplos nos quais os nossos modelos para prever o futuro mostraram ser deficientes perante sucessos aparentemente aleatórios. “Existe uma série de tendências comportamentais bem conhecidas, como a ilusão da experiência recente, o bias da confirmação, a falácia do jogador, o efeito do enfoque, etc, que podem influenciar as hipóteses que formamos e os tipos de decisões que tomamos na base destes modelos. Embora o Brexit e as eleições para a presidência dos EUA tenham criado as suas respetivas incertezas, as pessoas agora estão à espera do inesperado de formas nas quais talvez não tivessem à espera há um ano atrás. O tempo dirá se estes medos estão plenamente justificados (e a volatilidade, de facto, subirá) ou se estamos a assistir a outra demonstração palpável das nossas tendências comportamentais”.

Tendo em conta os desafios que enfrentam os gestores na hora de abordar um futuro incerto, preparar-se para as mudanças é uma parte importante do processo de investimento. Na sua opinião, ninguém pode prever o futuro. “Na realidade o desafio dos gestores é preparar as carteiras para o inesperado”.

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