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Já chega o que exportamos?


O ano de 2013 trouxe duas novidades ao nível das exportações: a primeira, foi que o seu valor constituiu 41,1% do Produto Interno Bruto (PIB) e a segunda, mais importante, é que pela primeira vez em 70 anos, a balança comercial de bens e serviços foi positiva, ajudando a que pela primeira vez nos últimos 20 anos, a balança corrente e de capital tivesse um saldo positivo.

Em 2009, as exportações pesaram pouco mais de 28% do PIB e passados quatro anos, pesaram 41%. Além disso, Portugal conseguiu diversificar os mercados destino: em 2010, apenas 17,8% das exportações foram para países fora da União Europeia (UE), enquanto que em 2013, esse valor subiu para 29,8%. Contudo, os 4 primeiros maiores compradores de produtos e serviços portugueses foram a Espanha (peso de 20% em 2013), a França (12,4%), a Alemanha (11%) e o Reino Unido (8,3%). Só em 5º lugar, aparece o primeiro destino fora da UE, Angola com um peso de 6,6%. O Brasil teve um peso de 2,8% em 2013 e a China pesou apenas 1,1% do valor total exportado.

Será que a evolução das exportações do país nos últimos 4 anos chega para uma pequena economia com uma procura interna muito sensível aos ciclos económicos.

Na Europa, países pequenos como nós como a Holanda, a Bélgica, a Estónia, a Eslováquia, Malta e a Irlanda entre outros, apresentam um peso das exportações no PIB superior a 80%. E grandes economias europeias como a Alemanha, apresentam um peso das exportações no PIB perto dos 60%.

Portanto, como se costuma dizer, “a procissão ainda vai no adro da igreja”.

Por tipo de produtos e serviços exportados, o sector das viagens e turismo representou 13,6% do valor total, o que faz deste sector um dos clusters a apostar estrategicamente no presente e no futuro, dadas as condições climatéricas excepcionais, a hospitalidade do povo português, a excelente cozinha e apesar de pequeno, Portugal oferece uma grande variedade de ofertas turísticas.

O sector das máquinas e aparelhos (10,2%), os transportes (8,4%), os combustíveis minerais (7,3%), os veículos e outros meios de transporte (7,3%) e os metais comuns (5,4%) seguiram-se com posições acima dos 5%. As exportações agrícolas ocuparam a 10ª posição em 2013 com 3,8% do valor total exportado.

Os sectores cujas exportações mais cresceram em 2013 foram os combustíveis minerais (+32%), as peles e couros (+22%) e a óprica e precisão (+22%). O turismo cresceu 8%.

Os últimos anos foram positivos ao nível das exportações, mas os próximos anos terão que evidenciar o mesmo esforço de diversificação de produtos e especialmente de mercados. É fundamental continuarmos a aumentar o peso dos mercados fora da UE como destino, especialmente as economias emergentes. O peso das exportações para a China por exemplo ainda é bastante reduzido (1,1% do total exportado), tendo por isso um elevado potencial.

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