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J.P. Morgan AM recomenda cautela perante um momento de excessivo otimismo no mercado


“Todos os mercados estão caros, incluindo os mercados alternativos, por isso, é importante realizar uma boa seleção”. É esta a opinião de Karen Ward, estratega chefe da J.P. Morgan AM para EMEA, numa reunião com jornalistas a propósito da apresentação das perspetivas de investimento da gestora para 2020, na capital portuguesa.

Karen Ward defende que apesar de este ano não parecer que o mercado tenha de estar pendente dos riscos que dizem respeito à política monetária ou à guerra comercial, como acontecia no passado, devemos estar preparados para os riscos políticos, já que estes podem provocar uma grande volatilidade no mercado. “Acredito que os clientes têm de ter  mais cuidado já que as estimativas de lucros estão a ser muito otimistas, pelo que recomendamos ser cautelosos, optar mais por grandes empresas do que por pequenas e médias, e por empresas value vs growth já que há demasiado otimismo no mercado”, aponta esta especialista.

Entre os riscos políticos que podem sacudir o mercado, Ward nomeia em primeiro lugar as eleições que se vão celebrar nos EUA no mês de novembro nas quais Donald Trump, já salvo do processo de impeachment, provavelmente será eleito. Não é o único risco, já que ainda que a guerra comercial entre os EUA e a China pareça ter entrado num processo de impasse, é previsível que se intensifique quando acabarem as eleições nos EUA. “A grande dúvida é quando voltará”, afirma Ward. Mas o risco político não só virá dos EUA como também da Europa, com o Brexit como grande protagonista, já que ainda falta saber como é que o Reino Unido e a União Europeia vão acertar agulhas, já que o acordo entre os dois representa a soberania de um país com os acordos de livre comércio.

Ward também quis comentar a última grande crise que enfrentou o mercado nas últimas semanas: o coronavírus. Um episódio que, no seu ver, pode impactar muito mais hoje a economia do que o fizeram outras epidemias no passado. “Quanto ao coronavírus tenho duas ideias claras. A primeira é que se hoje a China espirra, o resto do mundo constipa-se, considerando que a sua importância na economia mundial é muito diferente da que tinha há dez anos. A segunda é que o impacto dependerá de quanto tempo demorem as autoridades chinesas a conter o vírus”.

Neste contexto, a recomendação que fazem na gestora do banco americano combina duas ideias-chave: a cautela e a importância da diversificação, com a dificuldade acrescida neste último caso de que conseguir essa diversificação será complicado num contexto de rentabilidade negativas em taxas durante muito mais tempo. “A grande tarefa da Europa é a de diversificar já que as obrigações de países mais core vão continuar a dar rentabilidades negativas pelo que é preciso procurar essa diversificação noutro tipo de ativos alternativos. Encontrar rendimentos sem assumir demasiados riscos é o grande desafio do próximo anos”, aponta.

“As taxas de juro negativas vieram para ficar”

Quantos aos movimentos dos bancos centrais este ano, a especialista tem uma opinião clara. “Os bancos centrais têm uma estratégia completamente diferente”. No início de 2019, a Reserva Federal norte-americana queria completar o processo de normalização. “Um ano depois, isso mudou completamente. Não só baixaram as taxas de juro como desistiram da ideia de reduzir o tamanho do balanço”, explica Karen Warden. O quantitative easing surgiu como uma medida temporária durante a crise que seria levantada quando as coisas melhorassem, mas no ano passado mudaram de ideias. 

Para a profissional da J.P. Morgan AM, os mercados estão certos. “Não acredito que os bancos centrais estejam sem munições. Como as taxas estão baixas e o quantitative easing está ativo, pode-se pensar que não há mais nada que possam fazer, mas no ano passado demonstraram que não acreditam nisso e que vão continuar a experimentar outras medidas.” Uma dessas medidas pode ser as taxas de juro negativas que, na minha opinião, “vieram para ficar” e “alimentam o apetite pelo risco”.

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