Tags: Gestores | Ações |

Isto é o que se passa quando nem todos os investidores value empregam a mesma definição de value


A fronteira entre o que é value e o que não é tornou-se cada vez mais difusa nos últimos anos, especialmente depois da Crise Global Financeira de 2008. É o que demonstram uma série de estudos que a Funds People tem vindo a publicar ao longo do tempo. Hoje podemos falar de múltiplas interpretações sobre o que é propriamente o investimento value, e se isto pode representar um problema aos olhos de Andreas Wosol, gestor da Amundi.

“Para muita gente, o value investing é sinónimo de um investimento baseado em factores de estilo e rotação de estilos. Apenas contemplam o value como parte de uma tomada de decisões com perspetiva top down, ou seja, quando rodam os seus ativos para um ou outro estilo, quando as variáveis macro parecem ser favoráveis, ou quando querem ir contra o factor value”, afirma o especialista que está a cargo do fundo Amundi Funds II – European Equity Value.

Creio que este é um enfoque muito redutor para compreender o investimento em value e tirar partido dele, porque o value não é um fator de estilo”, continua. O especialista defende, por outro lado, que o value investing “é o núcleo de investimento ativo em ações”, no sentido em que a tarefa de um investidor deverá centrar-se em comprar barato e vender caro. Portanto, o especialista é da opinião de que “a maior parte das vezes que as pessoas falam do value referem-se a um fator de estilo com caraterísticas mais próprias do investimento quantitativo e não falam do value de um ponto de vista baseado nos fundamentais”.

O resultado desta diferente perceção, segundo Wosol, é que atualmente muitas das definições de value que podem encontrar-se no mercado baseiam-se principalmente na deteção de títulos que apresentem um PER e um valor contabilístico baixo. “O problema é que se está a ignorar a parte fundamental da equação: o valor e o preço são duas peças separadas. Se nos centramos apenas no preço, ou no ciclo em vez de nos basearmos numa análise fundamental, tomaremos decisões de investimento erradas”, explica o gestor. A sua própria proximidade ao value investing parte de uma definição de value centrada na gestão do risco para evitar uma deterioração permanente do capital.

Para consegui-lo o especialista e a sua equipa desenvolveram um processo de investimento disciplinado baseado na análise em profundidade das empresas que entram no seu radar – as ações europeias – para determinar qual é o seu valor intrínseco e depois fixar uma margem mínima de segurança como premissa para investir ou não nelas.

Além de um debate filosófico ou até semântico, é certo que o perito dispõe de dados para demonstrar que definições diferentes de value podem conduzir os investidores a diferentes resultados, tal como se verifica no gráfico abaixo. Nele, verifica-se o comportamento a longo prazo de definições diferentes de value – as baseadas no fator value e vinculadas ao PER e o valor contabilístico – em comparação com o comportamento dos fundos e o comportamento do índice MSCI Europe. “É possível observar que as definições de value mais concentradas em estilos ou fatores são bastante voláteis. No final, é necessário cronometrar o mercado para poder gerar rendimentos. Mas isto não tem nada a ver com o value investing, consiste apenas numa rotação de estilos”, explica Wosol por um lado.

cumprimentar handshake acordo

 

Por outro, constata que, graças ao enfoque no valor intrínseco e à margem de segurança, o Amundi Fundus II – European Equity Value conseguiu descorrelacionar-se das outras definições, assim como o do índice. Isto leva o gestor a afirmar que “o value é completamente intemporal”. Segundo o especialista, “se se investir com uma abordagem fundamental e um horizonte de investimento a longo prazo, prestando atenção ao valor intrínseco e à margem de segurança, não é necessário prestar atenção ao momento do mercado. Em contrapartida, afirma que qualquer outra abordagem value investing acaba com o investidor sendo condicionado pelas forças do mercado, pela rotação de estilos e pelo momentum".  

"Existe uma perceção negativa em torno do value desde a crise financeira, porque as pessoas pensam que não foi rentável desde então. Não é verdade. Apena o fator de estilo value não foi rentável", refere Wosol para terminar.

Empresas

Notícias relacionadas