Investir num mundo mais populista e protecionista


Um mundo que cresceu graças à abertura das fronteiras e à colaboração comercial entre países agora questiona os benefícios da globalização. O pêndulo da política que tradicionalmente flutuava no centro move-se em direção aos extremos. Assim, a influência do populismo de ambas as cores cresce em força e aumenta um tom enviesado entre os governos em direção ao protecionismo.

Para Hamish Chamberlayne, responsável de ESG da Janus Handerson Investors, isto tem ramificações na forma como se investe. “Os negócios que dependem de um modelo tradicional vão sofrer”, defende. Está a ganhar peso a ideia de reciprocidade. Como é que as empresas impactam as zonas onde operam? O quão sustentáveis são as suas cadeias de produção? A população está a requerer das empresas um impacto líquido positivo nas suas operações.

O impacto do populismo chega até às obrigações. “A pressão social e política para que os bancos centrais intervenham é enorme”, comenta Dick Weil, CEO da Janus Henderson. “As antes denominadas medidas extraordinárias tornaram-se na nova norma”. É um argumento que apoia Philipp Vorndran, estratega de mercados da Flossbach Von Storch: “O populismo serve-se das emoções e apresenta-se como uma solução simples para problemas complexos. Quando ocorrem contratempos, procuram-se bodes expiatórios”. Este papel cumpriu-o agora a Fed, que se teve de afastar da linha de fogo.

Os bancos centrais insistiram em numerosas ocasiões sobre a importância de complementar as políticas fiscais com medidas fiscais, mas um ato combinado entre governos e entidades monetárias parece complicado. Como recorda Tom Ross, gestor do Janus Henderson Horizon Euro High Yield Fund, a pressão populista faz com que os governos estejam mais centrados em como se manter no poder. “Faz falta uma viragem fiscal, mas a atenção da Europa não está focada nisso nesses momentos”, explica o gestor.

Por isso, é importante estar consciente dos sectores mais impactados pelas medidas protecionistas. Um claro exemplo é o sector automobilístico e a sua exposição a novos impostos aduaneiros. “O irónico é que a maioria destas empresas automobilísticas são investment grade, por isso, o maior risco está na parte segura da gama de ratings”, acrescenta Ross. No sector imobiliário, o conceito de controlo de rendimentos voltou à cena, segundo conta Guy Barnard, corresponsável de ações imobiliárias globais da Janus Henderson, algo que tem um efeito direto no futuro da indústria.

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