Investir em sustentabilidade. O que se ganha?


É o tema do momento, e não passou à margem da Conferência anual da CMVM em 2018. Aliás, a conferência organizada pelo regulador visou precisamente o tão falado tema da sustentabilidade financeira, e “Sustainable Finance – The road ahead” foi o mote para um dia inteiro dedicado às problemáticas “verdes”.

Numa newsletter agora lançada pela CMVM totalmente dedicada ao encontro, o regulador passou em revista cada um dos painéis levados a cabo. Depois de já lhe termos mostrado as conclusões referentes à regulação da sustentabilidade, numa conversa onde estiveram presentes Gabriela Figueiredo Dias, presidente da CMVM, Gabriel Bernardino, presidente da Autoridade Europeia dos Seguros e Pensões Complementares de Reforma (EIOPA) e Steven Maijoor, Presidente da Autoridade Europeia dos Valores Mobiliários e dos Mercados (ESMA), hoje é a vez de nos debruçarmos sobre o tema “Investir em sustentabilidade. O que ganho?”.

A segunda mesa redonda do dia contou com a presença de Will Martindale, diretor de políticas, UNPRI, Paul Tang, membro do parlamento Europeu, Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas, Margarida Couto, presidente, GRACE - Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial, Jorge Moreira da Silva, diretor, Direção de Cooperação para o Desenvolvimento da OCDE, António Miguel, Diretor Executivo, Maze; Laboratório de Investimento Social. Segundo o referido no documento que o regulador agora divulga, o otimismo foi palavra de ordem relativamente à incorporação de factores ESG, enfatizando-se a confiança na geração millennial, que “revela preocupações com a criação de impacto e não somente com a maximização e o retorno para os acionistas”.

Jorge Moreira da Silva foi um dos oradores que apontou problemas concretos sobre a temática. Falou da “importância da transparência, de uma melhor mensuração dos impactos dos fatores ESG”, “bem como das reformas nos países em desenvolvimento no alinhamento do mercado com os objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”.

Os riscos também não ficaram de fora do debate. Segundo o que a CMVM comunica, os presentes apontaram “o risco de incumprimento das metas da ONU”, e de “fragmentação a nível global na concretização destas medidas”, como riscos a monitorizar. Margarida Couto, por seu turno, quis colocar a tónica nos “riscos de lavagem verde”, que podem constituir “uma ameaça para a credibilidade das políticas de sustentabilidade também marcou presença neste painel”.

Também em tom de aviso no campo dos riscos, Paul Tang deixou um alerta. “O mais importante para mim é alterar o dever fiduciário, porque nem sempre o que está em causa são medições; o que vos peço enquanto investidores é que tenham em consideração os impactos e riscos”.

Will Martindale, por sua vez, acredita que “existe agora um conceito de investimento relativamente bem compreendido que exige que os investidores considerem as questões ESG como uma característica central no acesso ao valor corporativo”. António Miguel, da Maze, não deixou também de fora a palavra oportunidade. “Vemos o impacto como a maior oportunidade económica do nosso tempo. (...) Não encaramos as finanças como um fim em si mesmo, olhamos para as finanças e para o capital como um meio para atingir um fim”, acredita.

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