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Investir em inteligência artificial: o investment case pouco óbvio


A inteligência artificial (IA) é parte do nosso dia-a-dia. É com esta inegável premissa que Johannes Jacobi, especialista de produto em Artificial Inteligence da Allianz Global Investors, inicia uma apresentação, dirigida a clientes da entidade gestora, sobre o poder disruptivo do tema e da forma como, na Allianz GI, o decidiram abordar numa estratégia de investimento.

“Desde o início do século que temos visto um crescimento exponencial da capacidade de processamento e armazenamento de dados. Isto tem dado origem a algoritmos cada vez mais inteligentes e capazes, o que tem chamado a atenção do capital de risco, que tem comprometido muitos fundos com este tema. As máquinas estão a aprender com a sua experiência, estão a tornar-se mais independentes, a escrever o seu próprio software... e estão em todo o lado”, introduz o especialista.

Como exemplos óbvios e presentes no dia-a-dia dos media, Johannes Jacobi realça os carros autónomos, ou os desenvolvimentos ao nível da saúde. “Muito embora estejamos ainda a uns cinco ou 10 anos de ver um carro completamente autónomo, aqueles que se compram hoje fazem já muito pelo condutor. Já na saúde, vemos a indústria completamente fascinada pelas oportunidades que representam os recentes desenvolvimentos no diagnóstico do Alzheimer. Conseguiremos detetar a doença seis anos antes de esta se manifestar, com 90% de precisão. É uma mudança do paradigma. Desenvolvimentos semelhantes têm acontecido no diagnóstico do cancro”, expõe.

Da teoria ao investimento

O especialista da Allianz GI traça um paralelismo histórico com o potencial disruptor da IA. “Se pensarmos bem no quanto as nossas vidas mudaram desde os anos 90 com a massificação da internet e dos computadores pessoais, vemos o quanto a forma como trabalhamos e vivemos se transformaram. A inteligência artificial tem esse potencial. O potencial para ser disruptivo em qualquer indústria”, introduz Johannes, lançando as bases da filosofia do fundo Allianz Global Artificial Intelligence.

“Quanto iniciámos  o ‘thought process’ para desenvolver uma estratégia de investimento, ficou imediatamente claro para nós que esta teria que incluir os provedores de infraestruturas para a IA, bem como as aplicações relacionadas”. A um primeiro nível então, entram empresas como as que produzem e desenvolvem semicondutores. Que, basicamente, constroem o ecossistema da IA. Aqui, o especialista aponta o caso da Nvidia ou On Semiconductor. E a um segundo nível, as aplicações de IA. A Facebook, Salesforce ou Yelp têm aqui o seu lugar. “Poderíamos ter parado aqui, mas percebemos que poderíamos ir um passo mais à frente. Ter uma abordagem mais holística à inteligência artificial”, exclama.

Do óbvio ao menos óbvio

“Quanto mais discutíamos o tema, mais chegávamos à conclusão que investir em IA não é apenas investir em tecnologia. Investir em IA é também investir nos segmentos do mercado que estão a enfrentar o impacto e a disrupção deste tema. E foi assim que quisemos posicionar-nos para antecipar os sinais de disrupção”, explica Johannes Jacobi. E como resultado desta abordagem e filosofia, a empresa norte-americana de tratores e maquinaria agrícola Deere & CO ganhou o seu lugar no portefólio. Mas de que forma está uma empresa do setor da agricultura, fundada há quase 200 anos, relacionada com o tema da IA? “Muito simples! A Deere & Co comprou recentemente uma empresa chamada Blue River Technology, uma empresa focada em soluções IA. E é aqui que a história fica mais interessante, no meu ponto de vista. Os grandes inputs de custos para um agricultor são os fertilizantes e os herbicidas. O que a Blue River trouxe para a Deere, foi a possibilidade de o equipamento percorrer o campo de cultivo e selecionar automaticamente a planta ou o pedaço de terreno que necessita de mais fertilizantes ou mais herbicidas. O custo total, em média, pode recuar até 90%. E vai mais longe. A Deere está constantemente a atualizar a sua base de dados, o que faz com que a maquinaria fique mais e mais eficiente a identificar e processar as plantas e características do terreno”, expõe. Este é apenas um dos muito exemplos do quanto a inteligência artificial pode impactar sectores que não estão obviamente relacionados.

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Três níveis de investimento fazem então parte da estratégia desenvolvida pela Allianz em 2017, gerida por Sebastian Thomas e que agrega já mais de 1.200 milhões de euros de investimento. A inteligência artifical ao serviço da sociedade, e dos investidores da Allianz GI.

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