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Investimento em high yield com enfoque de retorno absoluto: atualização do Muzinich LongShortCreditYield


Os mercados high yield estão a tornar-se novamente irritantemente bipolares. Mas o aumento da volatilidade não foi impedimento para que o Muzinich LongShortCreditYield Fund tenha conseguido uma rentabilidade de 1,49% até ao dia 30 de abril (dados da Morningstar). Este fundo da Muzinich tem gerado de forma sistemática uma yield positiva desde o seu lançamento em 2012, investindo principalmente em dívida high yield e combinando-a com outras estratégias com um enfoque de retorno absoluto. O sucesso desta estratégia, a cargo do gestor Jason S. Horowitz, ganhou o selo de Consistente Funds People.

A construção da carteira do Muzinich LongShortCreditYield Fund baseia-se em quatro pilares. A parte das posições longas da carteira centra-se nas ideias de investimento com maior potencial para gerar valorização de capital, como o objetivo de gerar oportunidades de retorno total próximas dos 10% anualizados. A parte curta tem como missão a geração de alfa, mediante apostas em emissões de crédito de empresas com problemas.

O terceiro pilar da estratégia é a arbitragem de crédito. Tem como dupla missão a de gerar alfa e reduzir a volatilidade através da arbitragem, de dívida de distintos bancos, ao longo da estrutura de capital. Para o conseguir, investem em pares long/short e posições intra sectoriais.

A quarta coluna que sustenta a estratégia, é o investimento em obrigações de curta duração. Selecionam-se obrigações de alta estabilidade com vencimento no curto prazo e um padrão claro de reembolsos. A intencionalidade deste tipo de investimentos é captar rentabilidade para a carteira com a mínima volatilidade possível.

A combinação dos quatro pilares tenta impulsionar o potencial de subida do fundo (medido pela capacidade para participar nas fases de bull market) e reduzir o potencial de queda (amortizando as fases de queda do mercado). O fundo investe principalmente em dívida high yield. A grande maioria das obrigações em carteira estão denominadas em dólares, e foram emitidos por empresas norte-americanas, europeias e/ou de países emergentes. O produto oferece liquidez semanal aos participantes.

Detalhes sobre o posicionamento atual

A recuperação que está a experienciar a dívida corporativa norte-americana desde o passado mês de fevereiro, continua a favorecer tanto a dívida com grau de investimento como a high yield. Ambos beneficiaram da robustez dos factores técnicos, “especialmente dos sólidos fluxos de entrada”, indica Jason S. Horowitz, mesmo que o ritmo de subscrições  tenha abrandado recentemente.

O gestor destaca que os retornos têm sido guiados pelo sentimento do mercado “como demonstra a significativa rentabilidade das obrigações CCC e dos problemáticos sectores de materiais básicos”, juntamente com os retornos estimados do sector energético e mineiro. O gestor refere a emissão, durante as últimas semanas, de dívida high yield por parte de emissores que queriam refinanciar a sua dívida, assim como o incremente do número de empresas que trocaram os seus empréstimos por obrigações, e inclusivamente de empresas com sinais de stress financeiro que aumentaram capital e venderam ativos para reduzir a alavancagem.

“Como gestores concentrados na geração de retornos sólidos ajustados ao risco e à preservação de capital, não nos consideramos empresas com sinais de stress”, recorda o gestor. É por esta filosofia investimento em ativos de qualidade – evitando a exposição ao risco das matérias primas – que o fundo tem registado retornos positivos, mesmo que inferiores aos dos mercados norte-americanos de high yield.

O principal contributo para a rentabilidade durante o mês de abril veio da parte longa da carteira. O gestor optou por manter um posicionamento conservador em relação ao mercado, com exposição a obrigações de maior qualidade e menos volatilidade. A novidade é que Horowitz aproveitou o último mês para construir uma exposição modesta a nomes com maior solidez dentro do sector de matérias primas.

As apostas curtas representaram uma pequena contribuição para a carteira, inclusivamente apesar do balanço do mês ter sido positivo. “Como acreditamos que as posições curtas continuam a ser necessárias para ajudar a carteira a isolar-se de episódios periódicos de volatilidade, reajustámos alguns shorts”, explica o gestor.

A parte de arbitragem gerou ganhos, mas muitos pequenos. Está posicionada de forma neutra relativamente ao mercado, para refletir a visão cautelosa do gestor. A última estratégia que adicionou durante abril, foi a criação de uma série de posições curtas sobre obrigações de baixa qualidade, a par com uma posição longa em emissões de elevada qualidade, incluindo empréstimos alavancados. “Continuamos vigiando as deslocações por preço e risco das estruturas de capital, assim como as obrigações de diferente qualidade de crédito”, comenta Horowitz.

Para os próximos meses, o especialista continua a esperar um panorama complexo, dominado por taxas baixas ou negativas. Um panorama que está a por à prova os investidores institucionais (incluindo bancos, seguradoras e fundos de pensões) e os aforradores. Horowitz tem um Conselho para estes investidores: “Encontrar o timing certo do mercado é difícil. Alertamos os investidores para que entendam o estilo de investimento dos seus gestores e que comprovem se coincidem com os seus objetivos de investimento. Num contexto de taxas baixas, os investidores deveriam amenizar as suas expectativas de retorno total. Acreditamos que, se quer rentabilidade tem que avaliar o risco. Advogamos por uma aproximação prudente na tomada de riscos.”

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