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Investimento bottom-up em obrigações


“A minha grande preocupação é a inflação e o que os bancos centrais dizem e fazem”, comenta Fatima Luis, especialista em obrigações da Mirabaud Asset Management numa conversa com a Funds People. No entanto, com uma abordagem ao mercado que se afasta da típica visão top-down, executando os investimentos numa base oportunistística a profissional da casa de investimentos suíça vai além das preocupações macro e encontra muitas oportunidades para investir. No entanto, é impossível ignorar a evolução da economia: “Do ponto de vista económico o crescimento mundial tem prosseguido a sua recuperação, com esta retoma cíclica a ser partilhada entre países desenvolvidos e emergentes”. A profissional vê esta dinâmica a prosseguir durante o próximo ano, sustentada pela aceleração do crescimento na generalidade das economias. “Não obstante, a inflação ficou abaixo do objectivo dos bancos centrais nos diversos países desenvolvidos e os salários não aumentaram tanto como se esperava, principalmente por razões estruturais. Em 2018 esperamos uma subida gradual da inflação à medida que vemos a produção a aproximar-se da sua capacidade”, expõe.

Com isto em mente, Fatima Luis destaca a expectável manutenção da normalização das políticas monetárias e os eventuais impactos nos mercados obrigacionistas. “Os spreads das yields da dívida de empresas investment grade e high yield são reduzidos, mas explicam-se pelo ciclo económico e de liquidez, assim como pela qualidade dos balanços das empresas. No futuro próximo poder-se-á produzir um distanciamento, embora limitado, em virtude da força da atividade económica. O aumento da inflação deverá de igual modo levar a uma reavaliação das previsões a longo-prazo, o que deverá elevar a parte longa da curva”.

“Vemos, portanto, um ponto de viragem, mas ainda vemos uma luta entre o crescimento e a inflação e, apesar da queda do dólar ter vindo a dar um impulso nos Estados Unidos, não sabemos se este movimento é sustentável e se vais continuar”, desenvolve. Toda esta conjugação de factores tem sido positiva, segundo Fatima Luis, mas comporta também uma série de riscos que levam a profissional a prever a continuação do aumento da volatilidade deste início de ano. “Vimos bem a reação do mercado quando o Banco do Japão mudou ligeiramente a sua abordagem ao mercado”, aponta.

Mais uma vez, a especialista no investimento em obrigações da casa de investimento suíça realça a importância do processo bottom-up na seleção das emissões e emitentes a investir. “É aí que estão as oportunidades. Numa perspectiva macro em que vemos que todas estas variáveis positivas estão refletidas no preço, as ineficiências têm que vir de baixo e, portanto, é no ‘stock picking’ que encontramos essas oportunidades. Encontramo-las em momentos de volatilidade, de pressão de mercado ou entre novos emitentes, menos conhecidos da comunidade de investimentos”. A título de exemplo, a profissional apresenta um recente investimento numa emissão de um projeto numa localização geográfica que reflete a mais recente aposta no reforço de valências na Mirabaud: os mercados emergentes. “No Brasil, por exemplo, a nossa equipa identificou uma excelente oportunidade em moeda forte num porto privado com contratos assinados com grandes empresas globais do sector primário. Uma emissão nova que implicou toda uma due diligence de análise do balanço e definição de um racional de investimento, e que resultou no investimento. Uma fotografia do que é o nosso processo bottom-up”, conclui.

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