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Investidores portugueses procuram maior diversificação das carteiras


Os investidores portugueses têm procurado aumentar a diversificação das suas carteiras através, entre outros, de alternativos, produtos que têm sido utilizados também pelos europeus em substituição de acções, revela o estudo da Mercer sobre alocação de activos dos fundos de pensões europeus.

"Em Portugal, os investidores têm procurado obter maior diversificação das suas carteiras, procurando os mercados de alternativos, mercados emergentes e corporate bonds", refere Rui Guerra, partner da Mercer.

Quanto à exposição a acções, o peso "tem-se mantido em cerca de 25% ao longo dos últimos anos", revela o estudo. "Apesar da boa performance desta classe de activos nos últimos 12 meses, a maior parte dos investidores rebalanceou as carteiras, por forma a manter o peso".

Já na Europa, o estudo anual de alocação de activos mostra que os fundos de pensões tem continuado a reduzir a exposição a acções, depois de os mercados de acções, ao longo do ano passado e início deste, terem "proporcionado a alguns investidores oportunidades de acumular ganhos e de reduzir a exposição a esta classe de activos, em resposta à melhoria no seu nível de financiamento". De acordo com o mesmo documento, os planos de pensões do Reino Unido "registaram uma mudança significativa na acções durante os últimos 12 meses, com a alocação média a cair de 43% para 39% (o valor comparável foi de 68% em 2003)".

Em sentido oposto, a aumentar, está a proporção de planos de pensões na Europa que aloca parte dos seus activos em LDI, tendo passado "de 15% para 26% em relação ao ano passado, com estratégias cada vez mais comuns no Reino Unido e na Holanda". Já em Portugal "são poucos os fundos de pensões com uma estratégia pura de LDI, apesar de existir uma crescente utilização de estratégias que incluem algum nível de protecção face às responsabilidades".

Ainda relativamente à Europa, "quase metade dos inquiridos tem também agora uma alocação a alternativos", concluiu o estudo.

Com um cenário de taxas de juro reais negativas e  diversas questões económicas por resolver, os planos de pensões "são confrontados com o desafio de gerar retornos reais positivos, ao mesmo tempo que reduzem a volatilidade do nível de financiamento", refere Rui Guerra. Em resposta, salienta, os investidores "estão a tornar as suas estratégias mais dinâmicas e a introduzir a análise de cenários no processo de gestão de risco".

Quanto às tendências para o futuro, a redução da exposição a acções "parece preparada para continuar durante o próximo ano, com cerca de 30% dos planos europeus a sugerir uma redução". Em sentido oposto "tendem a aumentar as alocações a obrigações indexadas à inflação, obrigações de empresas e estratégias de LDI". O estudo revela ainda que, cerca de um quarto dos inquiridos espera aumentar a sua alocação a alternativos, com "apetite para o crescimento dos activos de rendimento fixo e carteiras diversificadas e, em particular, dos fundos de crescimento diversificados".

Rui Guerra refere que os sistemas de pensões na Europa "continuam a rumar no sentido de uma estratégia de investimento de baixo risco", sendo que tal não se traduz apenas em aumentos na alocação de obrigações governamentais. "Espera-se o aumento de activos que oferecem um fluxo de renda relativamente estável e sensível à  inflação, tais como imobiliário e infraestruturas", refere o partner da Mercer.
 

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