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Investidores não sabem por onde começar caminho da diversificação


 

A indústria brasileira de fundos já é uma das dez maiores do mundo, com mais de um bilião de dólares em activos sob gestão, e sua rendibilidade e crescimento superaram a média global nos últimos cinco anos. No entanto, a continuidade deste avanço dependerá de esforços para ampliar a educação financeira dos investidores, que não sabem por onde começar a diversificação dos seus investimentos no cenário actual de juros baixos.

É o que revela pesquisa solicitada pela ANBIMA para a McKinsey, que foi divulgada hoje no 7º Congresso ANBIMA de Fundos de Investimento. A consultora realizou a pesquisa durante quatro semanas com investidores do Rio e São Paulo, com idade média de 30 anos e investimentos superiores a 50 mil reais.

A conclusão é que os investidores reconhecem a necessidade de procurar novas alternativas de investimentos, mas têm uma insegurança muito grande. Informam-se muito, mas de forma superficial, e têm baixa tolerância ao risco. “Estes investidores são muito influenciados pelas notícias da semana, mas como elas são muito variadas, ficam perdidos e isso leva à inacção”, afirmou Rodrigo Mascarenhas, sócio da McKinsey.

O levantamento constatou ainda que os consumidores só reagem quando sofrem o impacto directo das mudanças do cenário. O ponto positivo é que existe uma correlação positiva entre conhecimento e tolerância a risco, sinal de que o aumento da educação financeira terá efeitos positivos sobre a diversificação das aplicações no futuro.

Segundo a consultora, os brasileiros queixam-se de que não existe uma cultura de educação financeira nas famílias ou nas escolas. Por isso, estão dispostos a pagar por aconselhamento financeiro, desde que este seja altamente qualificado e sejam pagos mediante a obtenção de resultados.

Até o momento, a mudança do cenário macroeconómico não provocou uma mudança significativa nas carteiras dos investidores. Os activos totais sob gestão dos fundos saíram de 529 mil milhões de dólares em 2006 para os actuais 1,103 bilião de dólares, mas os activos indexados ao certificado de depósito interbancário (DI) continuam a representar cerca de 50% das carteiras dos fundos brasileiros.

Actualmente, existem no Brasil 1,5 biliões de dólares alocados em investimentos de baixa rentabilidade, sendo que em alguns casos o retorno é inferior à inflação. A tendência é que, futuramente, no lugar de fundos DI e de acções, devem ganhar espaço produtos como fundos imobiliários, de crédito privado, fundos de índice (ETF). Produtos estruturados, carteiras de acções sob medida para perfil de risco e fundos de participações também devem ser mais procurados.

“Hoje o mercado está passando por mudanças estruturais que devem alterar de forma expressiva a natureza da procura e da oferta de produtos de investimentos”, disse Mascarenhas. Além dos juros mais baixos, a estabilidade económica, a redução do risco de crédito e o desenvolvimento do mercado de capitais favorece a diversificação das carteiras. O aumento do capital acumulado e a profissionalização do mercado também alimentam esta necessidade de mudança.

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