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Investidores confiam na gestão ativa no seu regresso ao mercado de ações


Tende-se a dizer que é precisamente em momentos de alta volatilidade no mercado quando faz mais sentido investir em produtos de gestão ativa, já que estes são previsivelmente mais adequados no momento de escolher entre os vencedores e perdedores quando os mercados estão polarizados como podem estar agora.

Os dados da Morningstar Direct sobre fluxos em fundos europeus no fecho do mês de maio revelam que nesta ocasião viu-se um regresso de investidores aos fundos de ações ativos em detrimento dos passivos. De facto, segundo os seus números, no mês de maio, os fluxos para os fundos de ações geridos ativamente situaram-se nos 12.000 milhões de euros enquanto os fundos passivos de ações despediram-se de um mês bullish, como maio, com mais saídas do que entradas de dinheiro. “Isto deve-se principalmente a reembolsos em ETF, mas os fundos indexados também sofreram retrocessos. Enquanto os fundos de saúde, tecnologia e growth continuaram a ter procura, esta contrasta com saídas de cerca de 1.000 milhões de euros dos fundos Large Cap Blend dos Estados Unidos e Europa”, afirma Ali Masarwah, analista da Morningstar.

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As ações não foram, contudo, a única grande categoria que captou o interesse do investidor de fundos ativos. De facto, os fundos de obrigações conseguiram despedir-se de maio com entradas líquidas no valor de 27.200 milhões de euros, 7.000 milhões mais do que no mês de abril graças ao disparo que tiveram os fundos de dívida corporativa, uma das grandes beneficiadoras das medidas de estímulos dos bancos centrais. Não obstante, na categoria de obrigações, os fundos passivos não se ficaram atrás no que a subscrições se refere. Captaram 8.577 milhões de euros, o que implica o seu melhor mês desde julho de 2019, segundo os dados da Morningstar.

Apesar de os dados se referirem a um único mês, crescem as vozes que consideram que, se a volatilidade do mercado continuar e, especialmente a dispersão dos retornos entre o mesmo tipo de ativo, poderá ver-se a gestão ativa a recuperar parte do terreno que perdeu a favor da gestão passiva. De facto, de acordo com um inquérito a investidores globais publicada recentemente pela Natixis IM, 79% dos profissionais financeiros acreditam que o mercado atual favorece carteiras ativas. Além disso, em média, 69% dos ativos dos clientes estão em investimentos geridos ativamente e pretendem manter esse nível de exposição ativa nos próximos três anos. "O que continuamos a ver em todo o mundo é um interesse na gestão ativa, combinado com um maior uso de estratégias alternativas para ajudar os clientes a navegar no contexto de incerteza nos mercados", afirma Dave Goodsell, diretor executivo do Natixis Center for Investor Insight.

Outro estudo, desta vez pelo CFA Institute, intitulado “Coronavirus Rocking the Foundations of Capital Markets?” também mostra que 31% dos profissionais financeiros inquiridos ​​(todos CFA) consideram, em média, que os gestores ativos tirarão proveito desta crise como um catalisador para demonstrar o seu valor. Um número que cresce especialmente nas regiões menos desenvolvidas e com mercados menos eficientes, como o sul da Ásia, o Médio Oriente ou a África, onde as ineficiências de mercado são um bom terreno fértil para gestores ativos.

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