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Investec Global Multi-Asset Income: régua e esquadro em cada título que entra em carteira


O Investec Global Multi-Asset Income pode dizer-se que é um fundo que tenta ao máximo descolar-se da etiqueta de multiativo com distribuição de rendimentos comum... pelo menos quando o exercício passa por se comparar com outros produtos da mesma categoria. Do lado da gestão é essa convicção que conduziu a conversa entre a Funds People Portugal e Jason Borbora-Sheen, portfolio manager do fundo, que recentemente esteve em Lisboa.

Contando com o selo de Consistente Funds People, os bons resultados do fundo nascem precisamente desta vontade de se diferenciar dos peers de mercado. “Diria que este fundo tende mais a ser comparado com um fundo de retorno absoluto um fundo alternativo do que propriamente com um multiativo”, começa por afirmar o profissional. O que guia a performance do fundo, explica, é a yield. Nesse sentido, definem como objetivo uma yield acima da média, pois olhando para a maioria das classes de ativos percebem que “os seus retornos vêm, primariamente, da distribuição de rendimentos e não da valorização do capital”. O segredo, acrescenta, é “tentar fazer isso, mas com menos de metade da volatilidade das ações”. Exemplifica: “se a volatilidade das ações for 10%, nós estaremos  abaixo dos 5%, a esse nível”.

Um foco muito grande em cada título. Pode dizer-se que é o “mantra” do produto,  que na sua gestão é apoiado por 13 analistas, divididos por cada classe de ativos. “Eles olham  para cada um dos ativos, principalmente aqueles que têm uma yield acima da média, e que apresentam um fluxo de rendimentos sustentável e estabilidade de capital”, atesta. Segue-se, no processo, “juntar” todos esses ativos de forma a perceber a sua correlação e a volatilidade de cada um dos títulos. “Não podemos determiná-lo apenas com base na alocação de ativos geral do fundo”, sentencia, explicando que quando existe um risco de drawdown fazem o hedge da estratégia.

Um  outubro positivo

A diferenciação deste produto face aos outros de geração de income acaba por ser visível na obtenção de um beta baixo. “O outros fundos de geração de income, na sua maioria, apenas estão a tentar produzir yield, com um beta que será muito elevado. O nosso fundo, por seu lado, tenta gerar um retorno total, e o beta é bastante baixo”. Uma característica que Jason Borbora-Sheen diz também ser visível nos próprios resultados do fundo. “A performance tem sido positiva a cada ano, e nota-se a capacidade que o fundo tem de capturar mais o upside do que o downside. No ano passado acabámos com ganhos de 1%, e este ano já vão em 4%; para além disso termos estado em terreno positivo em outubro mostra a nossa vantagem face a outros produtos”.

Da casa justificam a decisão de se focarem no income com um gráfico (abaixo) que o profissional se prontifica a mostrar. “Neste gráfico conseguimos ver que parte do  retorno nas classes de ativos é proveniente da valorização de capital, e qual aparece via rendimento, nos últimos 20 anos”, explica.  A conclusão é que “mais de 50% do retorno de cada classe de ativos é explicado pelo rendimento. No fixed income, por exemplo, a totalidade aparece via cupão”, conclui.

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Especificidade

Direto, mas sofisticado. É assim que o portfolio manager descreve à Funds People o processo de investimento do produto. Do lado das ações, têm cerca de 40 títulos no portefólio, com o “dividendo mais elevado do mercado”, mas com um rácio P/E baixo e elevadas métricas de rentabilidade. De forma similar, nas obrigações, afastam-se das bonds mais típicas, como as bunds, as obrigações soberanas suíças, as BTPS, etc. “Todas as obrigações que temos em carteira têm de ter uma yield positiva, mesmo considerando a  inflação. Podemos fazer um hedge da duração do fundo com swaps de taxas de juro, o que irá diminuir a sensibilidade aos movimentos das obrigações. Apenas temos 20 obrigações em carteira, contrariamente a muitas outras carteiras de multiavos, que têm número muito maior. Somos muito específicos nos títulos que compramos”, conclui.

O risco é outro dos componentes do processo de investimento, nomeadamente a sua gestão, que é delegada a uma equipa dedicada a esse trabalho. Porquê? “Num portefólio tradicional multiativo a tabela que tem a alocação de ativos resume o panorama. No nosso caso, os títulos individuais dentro de uma determinada classe de ativos são muito diferentes entre si e comparando com a classe de ativos per si. O que temos é um modelo de risco que tem em conta todos os ativos em termos individuais”. Mais um gráfico, abaixo, permite perceber. “Se o ativo estiver positivamente correlacionado com as ações é um ativo representado pela cor verde (com mais de 0,2 de correlação); se está negativamente correlacionado é um de linha azul (menos de -0,2); se é um ativo mais defensivo, está representado pela linha laranja (entre -0,2 e 0,2)”, explica. O que fazemos é um hedge do portefólio de forma a aumentar a porção azul de forma significativa quando o risco de drawdown aumenta”, atesta.

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