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Internet da Comida e outras temáticas de investimento sugeridas pelo big data


O desenvolvimento de ferramentas de análise tem permitido processar grandes quantidades de dados desestruturados (conhecido como Big Data). Estes não só estão a permitir obter uma vantagem competitiva para as gestoras que implementam estas técnicas na gestão das suas carteiras, como por exemplo a Goldman Sachs AM, como também está a ajudar a identificar novas temáticas e tendências de investimento que talvez os investidores que não recorrem a estes métodos de análise estejam a ignorar.

Esta é uma das ideias que a gestora norte-americana fala no seu relatório com as previsões para a segunda metade do ano. “As empresas estão ligadas de formas que podem ter impacto sobre a sua rentabilidade, mas frequentemente são subtis e passam despercebidas. Na nossa experiência, analisar big data desestruturado pode ajudar-nos a elucidar essas ligações”, explicam os analistas. “Acreditamos que a importância de pensar com abrangência sobre as ligações inesperadas entre as empresas continuará a crescer, à medida que as mudanças tecnológicas deem forma às definições dos setores económicos”, declaram da gestora.

Abaixo, apresenta três exemplos de temáticas de investimento que descobriram a partir da análise big data, e que acreditam que vale a pena seguir no segundo semestre de 2018.

#1 A internet da comida

Depois de anos de conteúdos didáticos e de formação, os investidores agora já se encontram mais familiarizados com a internet das coisas, ou seja, aparelhos quotidianos (pequenos eletrodomésticos, sobretudo) que mantêm uma interligação com a internet. Agora, da Goldman Sachs AM propõem um novo conceito, o da internet da comida, para se referir à procura crescente de alimentação através da internet (cada vez mais internautas recorrem à internet para comprar comida).

“Encontrámos restaurantes, empresas de software e serviços de internet (ISS na sigla em inglês) ligadas através de temas como “website”, “estratégia” e “social”, o que indica uma tendência para a integração da preparação da comida e da sua entrega através de plataformas da internet”, explicam da gestora.

Os analistas dão uma dupla explicação para esta ligação, a priori inesperada. Por um lado, lembram que uma série de estudos demonstrou que os restaurantes que incorporam os seus serviços de pedido online de entrega ao domicílio conseguiram uma fonte de receitas “significativamente mais forte, em relação aos seus concorrentes que não estão ligados à internet”. Por outro lado, constatam que muitas empresas ISS incorporaram o pedido online de entrega ao domicílio aos seus modelos de negócio, “empregando a sua vantagem corporativa em logística para complementar a oferta dos restaurantes”.

#2 Mais verde, mais limpo e mais barato

Outras descobertas que o big data fez foi a identificação de um bom número de setores aparentemente não relacionados entre si que estão a beneficiar da queda dos custos de produção de semicondutores: “Identificámos elos de ligação entre produtores de semicondutores, geradores de eletricidade renovável e empresas de engenharia através de temas como “solar”, “eletricidade” e “instalação”, especificam os analistas.

Aqui está a explicação dos elos de ligação: acontece que as mesmas técnicas que os produtores de semicondutores utilizaram para poupar nos custos, estão a ser empregues agora na produção de painéis solares, e isto está a originar uma redução geral dos custos da produção e instalação de plantas de energia solar. Acontece que esta maior eficácia de custos está a coincidir com uma procura crescente de energia solar: segundo dados da gestora, esta procura cresceu cerca de 26% em 2017, “à medida que mais nações se estão a interessar por energias limpas e renováveis”.

#3 Questões legais

O último tema tem a ver com o aumento do número de empresas que aumentou as suas provisões para considerar os custos de litígios futuros baseados em ações passadas. Os analistas da Goldman Sachs dão como exemplo os fabricantes de tabaco e os produtores de petróleo: a análise big data demonstrou o seu elo de ligação com assuntos legais através de ligações com as palavras “reclamações”, “processo” ou “danos”.

“Cada vez mais governos e fumadores têm estado a processar as tabaqueiras pelos danos, e os governos e ativistas processaram as petrolíferas por provocarem danos através da alteração climática”, explicam da gestora. Dão como exemplo recente, a exigência da cidade de Nova Iorque às cinco petrolíferas com maior capitalização do mundo, uma vez que as consideram responsáveis por danificar a cidade ao influenciar as alterações climáticas através das suas atividades.

A Goldman Sachs AM implementou com sucesso técnicas de big data em fundos como os pertencentes à sua gama CORE, que incluem produtos como o Goldman Sachs Emerging Markets CORE Equity Portfolio ou o Goldman Sachs US CORE Equity Portfolio – classificados com o selo Funds People Blockbuster e Blockbuster e Consistente, respetivamente – ou o Goldman Sachs Europe CORE Equity Portfolio, classificado com o selo Blockbuster e Consistente pela Funds People.

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