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Implicações dos novos limites de produção estabelecidos pela OPEP


A OPEP optou por estabelecer um novo limite à produção entre os 32,5 e os 33 milhões de barris diários na sua primeira ação deste tipo desde novembro de 2014. A produção mais recente da OPEP está em torno dos 33,5 milhões de barris ao dia, pelo que pode tratar-se de um corte entre meio milhão e um milhão de barris diários. Ainda não é claro quem vai cortar, nem quando o irão fazer, mas a Guinness Asset Management espera que os detalhes se resolvam na reunião seguinte da OPEP, a 30 de novembro. Segundo o Financial Times, o Ministro do Petróleo da Arábia Saudita anunciou que três países com condições especiais – Líbia, Nigéria e Irão, que têm tido restrições por razões específicas – poderão produzir dentro dos termos de referência a níveis máximos que sejam razoáveis, que geralmente são os níveis que se alcançaram recentemente.

Dentro da OPEP, a equipa que cobre o sector energético na Guinness AM espera que o maior corte recaia sobre os ombros da Arábia Saudita, principalmente com o apoio dos Emirados Árabes e do Kuwait. Um movimento que na gestora qualificam de justo se se tiver em conta que estes três países são os que têm estado a produzir em excesso relativamente ao resto dos membros durante os últimos 4-5 anos. As razões para o anúncio parecem óbvias. O comunicado da OPEP diz literalmente que “nos últimos dois anos, as receitas de países exportadores e empresas petrolíferas têm caído drasticamente, pondo a sua posição fiscal sob pressão e entorpecendo o seu crescimento económico. A indústria petrolífera tem enfrentado profundos cortes de investimento e maciços despedimentos, criando um risco potencial de que no futuro não se consiga atender à procura, em detrimento da segurança da oferta”.

Segundo a Guiness AM é claro que as economias da OPEP estão debaixo de um stress significativo, que é o factor que a curto prazo desencadeou a decisão de cortar. Também existe uma crescente preocupação de que a indústria petrolífera seja incapaz de proporcionar suficiente petróleo no futuro, levando-nos ao próximo pico do preço do petróleo, embora esta seja uma preocupação secundária para a OPEP neste momento. Tendo em conta a posição da Arábia Saudita, da gestora acreditam que o príncipe herdeiro (arquiteto da política atual do petróleo) voltou a ser pressionado para colocar um limite mais firme nos preços do petróleo, pelo bem do orçamento fiscal do país. Há alguns dias, o país anunciava cortes de 20% nos salários dos ministros e nos subsídios estatais como parte da sua resposta para travar o maior défice fiscal entre as 20 maiores economias do mundo.

“Com isto em mente, as ações deste país à frente da OPEP parecem desenhadas para conseguir um preço do petróleo que estagne esse défice. Para o travar por completo seria necessário um barril de crude a 80 dólares. O objetivo a longo prazo da Arábia Saudita continua a ser um preço significativamente acima dos níveis atuais, e a ação do dia 28 foi um passo importante nesse caminho a percorrer”, explicam. Na opinião da equipa de Energia da Guinness, isto terá implicações imediatas. “Traçou-se uma linha invisível: a OPEP não vai tolerar preços a estes níveis durante muito tempo. Há que esperar subidas do preço do petróleo, mas também é importante reconhecer quais são as atuações concretas da OPEP para avaliar o impacto na dinâmica entre oferta e procura”.

Deixando à margem os incêndios no Canadá e outros cortes temporais da produção, na gestora estimam que este ano está a haver um excesso da produção mundial na ordem dos 500.000 barris diários. Se a OPEP retira entre meio milhão e um milhão de barris, deixará o mercado em défice a curto prazo e começará um período de drenagem dos stocks. Na Guiness acreditam que a reação da oferta não vai ser imediata e ainda necessita de ser definitivamente sancionada no dia 30 de novembro. “Os aumentos de produção que se esperam da Líbia e Nigéria poderão manter algum tempo mais o excesso de oferta no mercado e de alguma maneira compensar os cortes de outros membros da OPEP”. Mais a longo prazo, na entidade esperam que os preços do petróleo alcancem um nível com o qual os países da OPEP se mostrem satisfeitos, a economia mundial se estabilize e a produção de petróleo dos EUA cresça de forma controlada. “Esse nível está em torno dos 70 dólares por barril”, afirmam.

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