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Impacto económico da pandemia COVID19: incerto, mas grande


A crise de saúde pública que estamos a viver em todo o mundo e particularmente na Europa nesta fase, está a ter um impacto económico negativo muito significativo. As maiores economias da zona euro como a França, Itália e Espanha estão praticamente paradas e o motor económico europeu, a Alemanha, está com a atividade económica limitada.

Estar a prever quanto vai cair o PIB (mas alguém ainda acredita que vamos crescer?) é uma tarefa complicada, uma vez que tudo vai depender da extensão temporal desta crise viral. Quanto mais tempo demorar o controlo da doença, maior será o impacto económico e mais tarde se iniciará a recuperação. E a crise viral só será totalmente vencida, quando houver uma vacina para todos (e não apenas para alguns!).

Se a crise financeira de 2008 teve reflexos enormes na economia e nos mercados financeiros (o índice americano S&P 500 que em novembro de 2007 estava nos 1560 pontos, em março de 2009 já estava nos 660 pontos), a crise atual tem particularidades mais complicadas de digerir.

Em 2008, tivemos uma crise de crédito que começou no imobiliário e no elevado endividamento das economias. Na crise atual, o choque não é do lado da procura, mas sim do lado da oferta e está associado a uma crise de confiança relacionada com a incerteza de quando a doença será controlada e/ou vencida.

Não tenho dúvidas de que esta crise, se prolongada, irá ter maior impacto económico do que a crise de 2008.

As empresas têm que ser o primeiro e o principal alvo de ajuda, de forma a que consigam sobreviver e, desta forma, não desaparecerem e não façam aumentar significativamente o desemprego.

A seguir, as famílias cujos membros possam ir para o desemprego têm de ser ajudadas.

Os bancos centrais já começaram a responder, uns mais agressivos (no bom sentido) do que outros. A primeira reação do BCE foi desastrosa, fazendo a todos nós desejar que o Super Mário voltasse, mas na semana passada, emendou a mão e apresentou medidas consentâneas com a exigência da situação.

Foi importante a Comissão Europeia vir dizer que o importante é o combate à doença, que o rigor orçamental tem de ficar para segundo plano.

Os responsáveis políticos europeus, principalmente os ministros das finanças, têm de fazer um esforço no sentido de garantir os fluxos de tesouraria das empresas. Não interessa tomar decisões do lado do consumo, uma vez que as pessoas estão em casa e as empresas não conseguem operar em condições normais.

Deixem de lado, por agora, o controlo do défice, porque é certo que vai aumentar e não há nenhum “Ronaldo das Finanças” em Portugal e no mundo que consiga evitar essa situação.

O BCE e a Comissão Europeia devem ter como certa a expansão orçamental que vai acontecer. Os países da Zona Euro têm de estar coordenados ao nível da política monetária e da política orçamental.

Nos EUA e no Reino Unido, por exemplo, a coordenação fácil, uma vez que só um banco central e um ministro das finanças. Na manta de retalhos que é a Zona Euro, temos 19 bancos centrais e 19 ministros das finanças, ou seja, a coordenação é muito mais difícil. Contudo, face a esta situação dramática, ela tem de existir para o bem do futuro da coesão europeia.

Se houver solidariedade entre todos os países da Zona Euro, certamente que a coesão sairá bastante reforçada após a crise atual. Caso contrário, será mais um passo para o fim da Europa tal como a conhecemos hoje. E esta ideia tem de estar bem presente nos políticos europeus antes de tomarem decisões.

As linhas de financiamento já anunciadas pelas maiores economias europeias são robustas e é um sinal positivo: entre 330 mil milhões de euros em França e 550 mil milhões de euros na Alemanha. Fora da Europa, o governo dos EUA já decidiu um pacote de medidas de quase 1000 milhões de USD.

A solução, volto a referir, passa prioritariamente por ajudar a tesouraria das empresas. É necessário que o maior número de empresas ainda cá estejam quando a recuperação se iniciar.

As medidas anunciadas em Portugal são positivas, mas têm de ser reforçadas. E acima de tudo, é necessário que o $ chegue rápido às PME’s e às famílias.

A banca tem igualmente de ajudar na flexibilização do pagamento das prestações de crédito às famílias e às empresas.

A EDP e as outras elétricas porque não baixam o preço da eletricidade neste período, quando muitas pessoas estão em casa a trabalhar, como é o meu caso?

E claro, esta é uma ideia para outros prestadores de serviços: água, gás, telecomunicações… Nestes últimos anos, os portugueses têm ajudado estas empresas a ter chorudos lucros. Está na altura de alguma reversão!

Meus caros, este é um momento muito complicado, mas os portugueses têm uma grande capacidade de sofrimento e estoicismo. O esforço de todos nós tem de ser grande mais uma vez. Já o foi na falência do país em 2011 e vai ter de ser novamente.

Cuidem-se por favor.

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