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Ideias alternativas: estas são as grandes apostas das gestoras para diversificar uma carteira em 2020


A gestão alternativa passou a ocupar uma parte cada vez mais relevante nas carteiras dos investidores ibéricos. Alguns estudos revelam que o peso destas estratégias aumenta entre 12% e 15%. A oferta de produto é vasta. Como todos os anos, a Funds People realizou uma sondagem aos responsáveis das gestoras internacionais com escritório na Península Ibérica para que identificassem, de toda a gama que a sua entidade comercializa, qual seria a sua principal aposta para investir em 2020. A sondagem deste ano celebra a sua oitava edição e revela quais são os fundos concretos escolhidos pelos responsáveis máximos das gestoras internacionais assim como a principal recomendação de investimento para o próximo ano e os motivos que os levaram a escolher esta estratégia:

Marta MarínA grande aposta de Marta Marín em gestão alternativa é o Amundi Funds Absolute Return European Equity, um fundo que procura obter retornos absolutos positivos e preservar o capital independentemente da direção do mercado. Segundo explica a diretora-geral da Amundi para a Península Ibérica, “trata-se de uma estratégia market neutral focada na geração de alfa e na eliminação de beta com uma baixa correlação com ações e obrigações. Uma abordagem fundamental e bottom-up no stock picking, com múltiplas fontes de alfa e uma estreita gestão do drawdown. Apoia-se numa equipa com experiência que integra três especialidades: analistas especializados no setor, gestores de carteira e equipa de construção de carteiras”.

O produto eleito por Beatriz Barros de Lis, diretora geral da AXA IM para  Portugal e Espanha, é o AXA WF Euro Beatriz Barros de LisCredit Total Return, um fundo onde se concentram sem restrições as melhores ideias em obrigações corporativas europeias da AXA IM. “Como referência, a AXA IM gere 216.000 milhões de euros nesta classe de ativos. O fundo deve manter sempre um rating médio de Investment Grade, e uma duração entre 0 e 5. É gerido de forma muito ativa procurando a proteção do capital. Utiliza ferramentas de cobertura que permitem correlação negativa ao mercado de crédito em determinados momentos. Não tem risco de divisa para um investidor em euros. Tem uma rentabilidade líquida anualizada em euros de 3,41% desde o seu lançamento em 2015, e conta com 4 estrelas Morningstar”, destaca.

A melhor ideia em gestão alternativa da BlackRock para o próximo ano será o BSF Global Event Driven, fundo Aitor Jaureguigerido por Mark McKenna. Tal como refere Aitor Jauregui, responsável da gestora para Portugal, Espanha e Andorra, centra-se em tratar de arbitrar ineficiências em qualquer evento corporativo, com flexibilidade para poder investir em qualquer tipo de catalisador. “Estas oportunidades de investimento poder ter uma natureza muito diversa. Por exemplo, podem consistir em fusões e aquisições, ofertas públicas de aquisição de empresas, rescisão e separação de empresas e mudanças na direção corporativa. Implementa um processo sofisticado de coberturas, graças à plataforma Aladdin, para tratar de isolar o risco de mercados e poder gerar retornos descorrelacionados com os principais mercados em ações e obrigações. O fundo investe principalmente em ações, podendo adotar posições em crédito, e sempre com uma abordagem fundamental e estratégica. O objetivo do fundo é gerar um Sharpe ratio de um, mantendo uma volatilidade em torno dos 6-8%. Costuma incluir entre 30 e 60 ideias em carteira de alta convicção, com um posicionamento geográfico centrado nos EUA (60-80%)”.

Sasha EversO produto com que fica Sasha Evers é o BNY Mellon Global Dynamic Bond Fund. Segundo índice o diretor geral da BNY Mellon IM para a Península Ibérica e América Latina, trata-se de um produto que é gerido pela Newton, especialista na gestão de obrigações globais, ações globais e estratégias multiativas. “O fundo investe num universo amplo de ativos líquidos de obrigações, incluindo dívida de governo, crédito investment grade, high yield e dívida emergente soberana. Além disso, toma posições em divisas, gere a duração de forma ativa e utiliza derivados fáceis para fins de cobertura para reduzir a volatilidade da carteira e para a proteger. É uma estratégia flexível focada na geração de rentabilidade através de uma alocação de ativos dinâmica. É, além disso, uma estratégia que persegue a proteção de capital, algo que procura, os investidores conservados no momento em que nos encontramos”.

Se o que procuramos é aceder a ativos alternativos com menor exposição ao ciclo económico pela sua menos Mariano_Arenillasliquidez ou pela sua capacidade de diversificação, Mariano Arenillas considera que comprar ativos imobiliários ou infraestruturas são duas boas opções. “No entanto, o acesso direto a esses ativos para o investidor comum exigirá alto capital e manter a posição por prazos contados em anos, no mínimo. Na DWS temos uma gama de fundos que investem em empresas cotadas cuja atividade é o desenvolvimento imobiliário ou de infraestruturas, pelo que apesar de não estarmos a comprar o ativo direto, poderemos beneficiar das atividade da sua indústria. Trata-se do DWS Invest Global Real Estate Securities e do DWS Invest Global Infraestruture Equities, fundos de ações globais com maior liquidez que a que podem trazer os próprios subjecentes, com maior volatilidade”, sublinha o responsável da DWS para a Península Ibérica.

Lucía Catalán_goldman sachsO GS Absolute Return Tracker, fundo selecionado por Lucía Catalán, “é um produto muito inovador que tem como objetivo dar acesso aos benefícios das gestão alternativa através da replicação de fontes alternativas de beta, evitando o risco idiossincrático do investimento em gestores específicos. O fundo, com mais de 10 anos de história em formato UCITS, tem um perfil semelhante de reantabilidade-risco ao do universo de estratégias alternativas (ações long/short, valor relativo, macro, event driven). Não obstante, a vantagem é que o produto tem liquidez diária, menor custo e total transparência nas posições. Poderá comparar-se a um ETF da indústria alternativa, mas com as vantagems de ser um fundo que além disso é trespassável. O resultado final é uma carteira muito diversificada e com uma rentabilidade diferenciada das grandes classes de ativos tradicionais, mantendo um nível de volatilidade muito semelhante à do índice HFRX, cerce de 4% nos últimos anos”, explica a diretora geral da Goldman Sachs AM para a Península Ibérica e América Latina.

Reconhecido como o ativo refúgio por excelência para momento de incerteza, o ouro é um ativo que pode funcionar em qualquer situação do mercado. “Os números mostram que investir uma percentagem da Inigo Escudero Invescocarteira neste metal precioso não só traz esse plus de proteção durante os períodos de stress, como também permitiu elevar a sua rentabilidade a longo prazo. Além disso, além das suas características defensivas, também conta a favor da crescente procura a nível global, com comprar líquidas de mais de 1.200 milhões de toneladas só nos últimos anos. Uma das formas mais eficientes para investir em ouro é através de um ETC pela sua transparência, facilidade e baixo custo. O Invesco Physical Gold ETC é um dos maiores da Europa e também um dos mais baratos, com um custo anual de apenas 24 pontos base. Os seus ativos estão garantidos por lingotes de ouro físico armazenados em câmaras encouraçado em Londres”, assegura Íñigo Escudero, diretor de venda e serviços ao cliente de Invesco para a Península Ibérica e América Latina.

javierO produto eleito por Javier Dorado é o JPMorgan Funds-Multi Manager Alternatives, fundo UCITS com liquidez diária que proporciona acesso aos investidores a uma carteira diversificada de 10 gestores alternativos com uma vasta experiência, dentro de cinco tipos de estratégias alternativas diferentes. “Este fundo pretende conseguir uma rentabilidade estável com volatilidade moderada (4-6% durante o ciclo), e o que é mais importante, com uma baixa sensibilidade ao comportamento das obrigações e das ações (beta inferior a 0,3). É gerido pela JPMorgan Alternative Asset Management, a divisão de gestão alternativa da J.P.Morgan AM, que conta com mais de 23 anos de experiência a oferecer soluções de investimento alternativo aos seus clientes. No cenário atual de baixas rentabilidades as obrigações e uma crescente volatilidade, as estratégias alternativas podem ser beneficiadas num contexto de maior volatilidade, e fornecer descorrelação com os mercados de obrigações e ações”, explica o diretor geral da J.P.Morgan AM para Portugal e Espanha.

As infraestruturas cotadas serão um dos ativos estrela no próximo exercício, tal como demonstraram nos últimosJavier_Mallo_Legg_Mason meses”, assegura Javier Mallo. De acordo com o responsável da Legg Mason para Portugal e Espanha, “este setor, que proporciona aos investidores liquidez diária, proteção nos momentos de volatilidade e um grande potencial de diversificação, constitui uma das tendências de investimento que mais relevância vai adquirir a médio e longo prazo. Desde a nossa gestora propomos o fundo Legg Mason RARE Infraestructure Value, cujos gestores unicamente gerem esta classe de ativo. Por isso, contam com um conhecimento e expertise do setor difícil de igualar, o que lhes permitiu obter uma rentabilidade de 23% nos 10 primeiros meses do ano. Além disso, conta com grande capacidade para proteger o capital nesta etapa de fim de ciclo em que encontramos: historicamente quando o mercado caiu, o fundo evitou 45% destas quedas”.

De acordo com Laura Donzella, as infraestruturas globais cotadas experimentaram uma tendência muito favorável em termos absolutos e relativos de rentabilidade em períodos de ciclo tardio. “Mais concretamente, laura donzellaas infraestruturas conseguiram rentabilidades semelhantes às ações durante ciclos completos de mercado, ainda que geralmente com uma menor volatilidade e uma significativa proteção quanto às quedas. A rentabilidade anualizada total esperada encontra-se na faixa entre os 9% e os 15%, o qual é apoiado em vários fatores, incluindo a antiguidades das infraestruturas, aumento da procura para nos EUA em gás natural, o intensificado gasto em portagens e aeroportos, crescimento dos dados e ao desenvolvimento da energia renovável. Além disso, as infraestruturas globais cotadas são chaves para o sucesso do objetivo quanto ao desenvolvimento sustentável (indústria, inovação, infraestruturas) as quais têm como objetivo construir uma infraestrutura robusta para 2030. O Nordea 1 – Global Listed Infratructere Fund é apoiado por um histórico de mais de sete ano na estratégia da CBRE Clarion Securites, um validado especialista nesta classe de ativos”, ressalta a diretora de vendas da Nordea AM para a Península Ibérica e América Latina.

Dadas as altas avaliações, expectativa de menor crescimento e maior volatilidade, Gonzalo Rengifo, diretor geral Gonzalo_Rengifo_Pictet_AMda Pictet AM na Península Ibérica e América Latina, considera que determinadas estratégias de rentabilidade absoluta fazem sentido para 2020. “A estratégia Pictet Total Return Atlas trata de superar o índice MSCI All Countries World ao longo do ciclo com menos de metade da volatilidade, protegendo o capital em tempos de stress. Reflete a visão macroeconómica global mediante posições longas ou curtas em empresas de grandes capitalizações, com ampla liquidez. Para isso, investe em ações globais com pouca correlação com os mercados. Pode proporcionar 70% de participação nas subidas, mas só 20% nas descidas, para um objetivo de rentabilidade média anual em cerca de 5%. Investe em empresas subvalorizadas face ao seu valor intrínseco, com a divisa principalmente coberta. Deverá fazer parte das estratégias core de baixa volatilidade e descorrelação com a carteira”, revela Rengifo.

CarlaO produto selecionado por Carla Bergareche como melhor ideia alternativa para 2020 é o GAIA Sirios. Segundo a diretora geral da Schroders para Portugal e Espanha, “há anos que ouvimos que as ações americanas estão caras, mas a realidade é que é um dos mercados com melhor comportamento. Estímulos por parte da Fed, assim como resultados empresariais, continuaram a alimentar tanto a economia, como as empresas, como os consumidores. Por isso, esta solução que beneficia de poder investir tanto nos grandes vencedores como nos perdedores parece-nos adequada para o contexto atual. Acreditamos que é preciso continuar investido em ações, mas cada vez parece mais razoável fazê-lo com um para-quedas que permita aproveitar eventuais subidas do mercado com um proteçãoo nas descidas no caso de que os mercados corrijam”, assinala a diretora geral da Schroders para Portugal e Espanha.

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