IA: investir na disrupção do quotidiano


(Tribuna de Sebastian Thomas, gestor do fundo Allianz Global Artificial Intelligence da AllianzGI. Comentário patrocinado pela Allianz GI.)

A inteligência artificial (IA) já está a mudar o mundo. O seu impacto está a ser enorme em todos os tipos de sectores e empresas e isso acontece numa fase ainda incipiente do seu desenvolvimento. As empresas capazes de impulsionar ou capitalizar os avanços no desenvolvimento dessas tecnologias têm o potencial de aumentar significativamente os seus lucros e obter uma vantagem competitiva significativa.

A transformação está a acontecer a alta velocidade. O tempo necessário, por exemplo, para treinar um sistema automático de classificação de imagens passou de três horas em outubro de 2017 para apenas 88 segundos em julho de 2019. E sistemas de processamento de idiomas, como o BERT da Google, foram lançados na forma de código aberto e imediatamente incorporados em vários tipos de produtos. A adoção da inteligência artificial por empresas (de todo o tipo de setores) aumentou 25% num único ano, revela um estudo recente da McKinsey. As empresas que já deram o passo viram as suas vendas aumentar, as suas estratégias de marketing melhorar ou os seus custos de produção reduzir. Segundo a IBM, o uso da IA nos negócios pode passar dos atuais 34% para 80% em apenas 1,5 ou 2 anos.

Temos visto empresas tradicionais adquirirem empresas ou equipas vinculadas ao desenvolvimento da inteligência artificial. No setor da saúde, para dar outro exemplo, foi já lançada a primeira vacina desenvolvida com recurso à IA. Os efeitos começam já a notar-se em todos os tipos de setores além da tecnologia.

Una estratégia inovadora

Há quase três anos, em março de 2017, lançámos o Allianz Global Artificial Intelligence, o primeiro fundo na Europa dedicado a investir neste tema. Entendemos que, para capturar todo o potencial disruptivo da IA, é necessária uma abordagem diferente da oferecida pelos fundos setoriais de tecnologia.

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A carteira do fundo Allianz Global Artificial Intelligence é construída com base em três categorias ou grupos de empresas (ver gráfico). No nível mais básico, estão as empresas a que chamamos de 'infraestrutura de inteligência artificial', incluindo empresas de hardware, semicondutores e outras que servem de base ao desenvolvimento e implementação dessas tecnologias, abrangendo atividades que vão da Big Data e da Internet das Coisas à telefonia móvel. Num segundo nível, encontramos as empresas que desenvolvem aplicativos de inteligência artificial e incluem atividades muito diversas no setor de tecnologia, da visão artificial à robótica.

E o terceiro nível é o que nos permite ter uma exposição além do setor de tecnologia. Aqui encontramos empresas de qualquer setor de atividade que utilizam e beneficiam da inteligência artificial para melhorar os seus processos ou oferecer novos serviços, que as diferenciam da concorrência. Hoje, as empresas do setor das tecnologias de informação ainda representam cerca de 60% do portefólio do fundo, mas, com o tempo, o peso de outros setores vai aumentar à medida que a inteligência avançar e entrar e transformar mais áreas de atividade.

Um exemplo disso é que, entre as cinco maiores posições do fundo, encontramos um fabricante de tratores, num setor tão tradicional quanto o da agricultura, mas que está a ver toda a sua cadeia de valor transformar-se graças à integração da inteligência artificial nos seus produtos e serviços. Com isso, a empresa obtém uma nova vantagem competitiva, reforça em parte as barreiras à entrada dos seus negócios-chave e obtém uma maior fidelização da sua base de clientes.

Áreas de investimento

A denominada Big Data permite analisar grandes quantidades de dados e descobrir padrões, comportamentos ou tendências, anteriormente ocultos. Melhora a capacidade de predição e permite que as empresas personalizem os seus serviços e sejam mais eficientes. O volume total de dados gerados no mundo duplica a cada 15 meses e o seu tamanho é tal que mais de 90% do total de dados criados pela humanidade foi gerado nos últimos dois anos.

Já este ano, estima-se que existam 50 mil milhões de objetos conectados à denominada Internet das Coisas em todo o mundo e que, por exemplo, apenas a venda de robôs para intervenções cirúrgicas chegue aos 6,4 mil milhões de dólares. Daqui a cinco anos, estima-se que o mercado de veículos sem condutor possa atingir os 39 mil milhões de dólares em vendas anuais.

Equipa especialista

O fundo é gerido pela equipa especializada em tecnologia da Allianz Global Investors, que opera em São Francisco e tem mais de 15 anos de experiência na gestão de fundos de tecnologia e mais de 20 na análise e acompanhamento do setor, com mais de 4,3 mil milhões de dólares em ativos sob gestão. Estar perto de Silicon Valley permite-nos testemunhar diretamente e ter acesso em primeira-mão a muitas das inovações e tendências que marcam e vão marcar a evolução da IA nos próximos anos.

Enquanto investidores, a nossa missão é analisar o potencial de tais disrupções, identificando as empresas que beneficiam, se desenvolvem e crescem de forma sustentável graças à Inteligência Artificial. O nosso processo de investimento contempla mais de mil empresas durante a procura de ideias, o qual, após um processo de filtragem, se limitam a umas 150-200, que são analisadas em detalhes. Destas, são extraídas entre 40 e 100 empresas, que compõem a carteira do fundo, que conta com um claro desvio em valores médios e pequenos (normalmente, o investimento em megaempresas não excede os 20%).

A inteligência artificial está a levar a uma transformação a todos os níveis, já considerada por alguns como uma nova revolução industrial, com a capacidade de aumentar a produtividade e modificar, não apenas modelos de negócios, mas também estilos de vida. É ainda uma oportunidade de investimento que abre novos horizontes. E não deve esperar para tirar proveito disso. O futuro é agora.

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