Hoje o prato do dia é DIM SUM!


Claro que é uma afirmação algo simplista, mas a qual, acredito, ajuda a posicionar o ajustamento de forças entre os principais blocos económicos mundiais: EUA, EURO e China. Penso que é evidente para todos que a região asiática, personalizada na China - mas que é de facto muito mais que apenas a China, constitui hoje, e provavelmente para as próximas décadas, o principal epicentro do crescimento e desenvolvimento da economia mundial. Claro que os blocos EUA e EURO continuarão a ter um papel decisivo, assim como a América Latina como um todo terá uma contribuição poderosa, no entanto acredito que será o bloco asiático que continuará a assumir a liderança do crescimento económico.

Níveis de endividamento relativamente reduzidos, equilíbrios orçamentais e elevados níveis de reservas, aliados a um crescimento da importância do consumo doméstico, são alguns dos indicadores fundamentais que nos levam a estar positivos para a sustentabilidade da região no longo prazo.

Naturalmente, este não é um tema novo, nem desconhecido. No entanto penso que até muito recentemente a maioria dos investidores apenas olhou para a região através dos mercados accionistas. E não é de admirar. Os retornos brilhantes atingidos durante a primeira década deste século ofuscaram qualquer outro tipo de investimento na região. Contudo, há mais na região que apenas os mercados accionistas.

Gostava de focar a atenção no mercado de renda fixa, e em particular no mercado de obrigações de empresas. Este mercado tem actualmente dois grandes blocos: o bloco USD, maioritariamente com emitentes americanos e o bloco EURO, com emitentes europeus e não só. Claro que o mercado não se limita apenas a estas moedas. Há grandes emissões em Yen, em CHF, nas Coroas do norte da europa e etc. no entanto, nenhuma destas moedas agrega uma dimensão suficiente para que possa ser classificada como um bloco de referência.

Mas o que é que isto tem a ver com a ásia e a sua crescente liderança do crescimento mundial?  TUDO, digo eu...

A região asiática é uma das mais dinâmicas e com o maior crescimento de transacções comerciais inter-países da região. Tem hoje um número crescente de empresas de alta qualidade, geradoras de cash flows elevados e com uma forte presença local. Estou a referir-me não apenas a empresas chinesas mas também a empresas que operam por exemplo na Indonésia, na Tailândia, em Singapura ou na Austrália, e que têm um modelo de negócio tão ou mais robusto e sustentável que muitos household names ocidentais.

Se juntarmos a este dinamismo a política de internacionalização da moeda chinesa (Renminbi ou RMB), reforçada nos últimos tempos através de acordos bilaterais de linhas de crédito (swap lines) com bancos centrais de mais de 25 países ao nível mundial, e confirmada como um dos pilares da politica a seguir na próxima década pela recente empossada cúpula directiva da China, é fácil perceber que estamos a assistir à criação de um novo bloco no mercado de renda fixa e de obrigações de empresas em particular.

Estou naturalmente a referir-me aos Dim Sum Bonds, ou obrigações denominadas em RMBs.

Estou convencido que os próximos dez anos levarão à afirmação do bloco RMB como o terceiro grande bloco, a par do USD e do EURO.

Apesar de o mercado denominado em RMB ser ainda relativamente pequeno, com cerca de 160 emitentes, num total de RMB 360 mil milhões (cerca USD60 mil milhões), principalmente quando o comparamos, por exemplo, com o montante emitido em USD por empresas asiáticas apenas em 11 meses de 2012, cerca de USD120 mil milhões. No entanto, as estimativas mais conservadoras indicam que o mercado em RMB possa atingir em 2013 os RMB650 mil milhões, quase duplicando a sua dimensão. Claro que não é um processo linear e há com certeza desafios pela frente. Porém, acredito que existe uma tendência clara de crescimento, podendo chegar ao limite de as empresas asiáticas que actualmente captam recursos nos mercados de USD e EURO, passarem a faze-lo maioritariamente no mercado RMB.

Se juntarmos a este crescente interesse, a componente dos emitentes multinacionais, como por exemplo a Caterpillar, a VW, o Santander ou mais recentemente a Renault, que lançaram emissões em RMBs para financiarem directamente as suas operações na China, ficamos cada vez mais com a ideia do papel que este novo bloco vai desempenhar internacionalmente.

Agora, e em jeito de conclusão, de que forma é que isto contribui para a rentabilidade da minha carteira?

Se acreditamos no argumento que a região asiática é aquela que oferece o maior potencial de crescimento económico na próxima década, e por conseguinte as empresas que operam nesse mercado têm também o maior potencial de crescimento e geração de lucros, então temos que esta região deve fazer parte da nossa carteira de investimentos. Simplificando, temos desta forma duas opções para obter exposição às economias reais desta região: através de equity ou através de obrigações de empresas.

Na Capital Strategies, devido às características do próprio instrumento, acreditamos que a opção por obrigações de empresas oferece neste momento um rácio de risco retorno mais eficaz. Por conseguinte, consideramos que a melhor forma de ganhar exposição ao mercado asiático de obrigações corporate será através de profissionais especializados, com uma presença e conhecimento da realidade local. Por isso trabalhamos com o Berenberg Bank, que em associação com a Goldman Sachs AM, gere o fundo de investimento Berenberg Renminbi Bond Opportunities: retorno YTD +10.5% e volatilidade esperada abaixo dos 7%. Parece-me uma boa sugestão para prato do dia: DIM SUM!

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